Em 2016 em uma entrevista ao jornal “Le Repubblica” disse o seguinte:

São os comunistas os que pensam como os cristãos. Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não os demagogos, mas o povo, os pobres, os que têm fé em Deus ou não, mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade

A fala do senhor Jorge Bergoglio não poderia estar mais cheia de imprecisões, a não ser a fala do senhor Ariovaldo Ramos que diz que “Teologia da Missão Integral é uma teologia da práxis: que tem como objetivo olhar o que está acontecendo e propor mudanças”, ele diz que lê a bíblia usando um óculos marxista.

O que infelizmente tem ocorrido com cada vez mais frequência é que as pessoas têm utilizado do nome de Cristo para defender suas bandeiras políticas e ideológicas, e aqui não fica ninguém de fora, direita, esquerda, centro, todos querem se dizer seguidores de Cristo.

Não que isso seja uma grande novidade, por séculos usaram o nome do Senhor para os mais diversos objetivos espúrios, hoje só remodelaram a Cristo, ao invés do Deus tirano da idade média, é o Jesus Hippie pós-moderno, sem verdade absolutas, ambientalista, vegano e defensor de tudo o que é verde.

Pois bem, agora os marxistas são os que querem se dizer cristãos, coisa que não é novidade, a Teologia da Libertação nos anos 1960/70 já faziam isso, a diferença é que a TMI é a versão protestante da TL e ambas são uma meia teologia.

O QUE É O MARXISMO

Marxismo, assim como toda filosofia e projeto político, não é um bloco monolítico, é uma grande ramificação de pensamentos que tem uma base comum, os pensamentos de Karl Marx, hoje se tem marxismo segundo Trotsky, Gramsci, Lenin, Fidel, Mao, e por aí vai.

Marx era um pensador segundo seu tempo, ele analisou o início do surgimento capitalista, sua obra magna, O Capital, que possui vários volumes, apresenta uma descrição do funcionamento do capitalismo de forma extremamente detalhada. Usando a metodologia fenomenológica, (aqui serei xingado por fenomenologia e marxista, mas Marx usava a fenomenologia, queiram aceitar ou não), ele reduz o capital a sua menor unidade, a mercadoria, a partir dela ele desenvolve todas os outros conceitos sobre o mecanismo da sociedade capitalista.

No entanto, o grande mal de Marx está em sua visão sobre a sociedade, na visão dele, o capitalismo só foi capaz de ampliar a miséria, sendo que as pessoas que possuíam os meios de produção, as indústrias, os maquinários e a matéria prima, detinham a riqueza, em contra partida, a população em geral só tinha sua mão de obra para vender.

Na visão marxista existem então em nossa sociedade duas classes, falando de forma simplista, a burguesia, que detém os meios de produção e os proletários, que vendem sua mão de obra. Essas classes são antagônicas, o bem-estar de uma depende da exploração da outra.

Para Marx e para o Partido Comunista Alemão, a única solução é uma revolução do proletariado, no qual, a classe oprimida assume o poder, tendo em um primeiro momento a ditadura do proletariado, que seria uma espécie de momento transitório, neste período seria destituído a propriedade privada, socializado os meios de produção e exterminada a família nuclear.

No final haveria uma sociedade sem classe e nem Estado, no qual a administração seria decentralizada e posta em unidades organizativas menores.

Na visão de Marx, o mundo perfeito é um mundo sem classes, onde todos tem os mesmos direitos, onde se trabalha pensando no bem comum, no qual a pessoa pode ter varias atividades, como ser ferreiro de manhã, professor a tarde e poeta a noite. Um mundo onde o trabalho não é para a riqueza pessoa em si, mas para o bem comum.

Dentro desse mundo governado por iguais, não haveria falta de nada, pois todos teriam tudo, com isso não haveria violência, ou qualquer outro problema social.

 

MARXISMO SEGUNDO GRAMSCI

O que se tem hoje de forma bem popular é uma versão do marxismo segundo o pensador italiano Antonio Gramsci.

De forma resumida, a visão gramsciniana diverge do marxismo clássico por ver que a revolução armada não é um meio viável para a tomada do poder, não que ele o descarte totalmente, isso se deve principalmente a experiência soviética e a tentativa de revolução em alguns países europeus.

Na União Soviética notou-se que após a morte de Lenin, em 1924, isso 7 anos após a revolução, a população queria que as leis “progressistas” como aborto, fim do casamento, da família, fossem revogadas. Além disso, notava-se que o Partido Comunista estava se tornando a nova classe dominante, desvirtuando o proposito original da revolução.

Na Alemanha e na França, as pessoas simplesmente não aceitaram fazer a revolução, a luta não foi para frente, levando a um completo fracasso dos planos marxistas.

Com isso, Gramsci notou que antes de conquistar o Estado era preciso conquistar as mentes, se fazia necessário mudar o modo de pensar da nação, para que ela desejasse a revolução.

Quando nós vemos em nossos dias a esquerda marxista querendo dominar a cultura, literatura, artes, cinema, etc, faz parte da visão gramsciniana de conquistar as mentes antes do Estado. Para ele era preciso ter um grupo de intelectuais orgânicos, pertencente ao grupo que se queria atingir, para que esses mudassem a mentalidade do grupo.

A NOVA JERUSALÉM É PROLETÁRIA?

Explicado a grosso modo, e aqui quero deixar isso bem esclarecido, fiz um resumo bem curto sobre a questão, para dar a entender os pensamentos gerais do marxismo, vamos agora colocar marxismo e cristianismo em diálogo.

O marxismo é uma filosofia da práxis, o que isso quer dizer, ele não está só preocupado em entender o mundo, está preocupado também em mudar o mundo. O trabalho de Marx sobre o capital e de Gramsci sobre a cultura eram na verdade base para se conhecer a sociedade com o intuito final de poder muda-la.

Para o marxismo o problema do mundo é a desigualdade social, devido a divisão da sociedade em classes. Para Marx toda luta social foi luta de classes, sendo que o primeiro grupo a ser oprimido foram as mulheres e os primeiros opressores os homens. Deste modo, um dos principais desejos do marxismo é o fim da família, pois enquanto houver casamento entre homens e mulheres, haverá opressor e oprimido e a luta social continuará.

Para Marx o problema é a luta de classe e a solução é o fim de todas as classes.

Mas para o cristianismo isso não é nem perto da verdade, o problema do mundo não é a luta de classes, não nego que ela exista, nem é o machismo, homofobia, racismo, desigualdade social, xenofobia, guerra, fome, miséria, terrorismo, tudo isso não chega nem perto de definir o real problema da humanidade.

O problema é simples, o pecado!

E devido ao pecado lemos que “Naqueles dias não havia rei em Israel; porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos.” Juízes 21:25, assim vive a humanidade, por conta do pecado, anda como se não houvesse um Rei sobre o cosmo e fazem o que lhe acham melhor.

O que o Apostolo Paulo nos fala?

Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado; Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. Romanos 3:9-12 (NVI)

Aqui já colocamos a única diferença que importa, qual é o problema do mundo, pois se o problema não é o mesmo, logo a solução também não o será.

Não é mudando a mente, na busca da construção de uma mentalidade sadia, preocupada com o próximo, que o mundo será um lugar melhor, pois a mente está corrompida por estar presa a uma alma que está morta para a bondade, deste modo, a solução não é racional, mas espiritual, é preciso que a alma viva para a bondade, esteja ligada a única fonte de bondade verdadeira, que é Cristo.

A solução pro mundo é a mensagem do evangelho da graça: A partir de então, Jesus começou a anunciar sua mensagem: “Arrependam-se, pois o reino dos céus está próximo”. Mateus 4.17.

Aqui, arrepender é a palavra grega μετανοέω, que pode ser transliterada para metanoia, com certeza você já ouviu essa palavra. Ela quer dizer arrepender, porem a questão está no motivo e na ação que o arrependimento trás.

Arrepender-se por ter percebido que a ação é em si errada, que o ato ofende a santidade de Deus e por isso não deve ser praticado, arrepender-se de perceber o tempo que ficou sem acreditar em Deus e de adora-lo, pois Ele é digno de toda adoração. O motivo do arrependimento é piedoso e está voltado a Deus.

A ação após o arrependimento é deixar de fazer o que se fazia, é largar o pecado e crer que Deus existe e enviou seu filho para morrer por nós na cruz e que Cristo ressuscitou ao terceiro dia. É deixar o mundo de trevas e andar na verdadeira luz.

Sabemos que para isso existe a necessidade de nascer de novo, não na carne, mas no espírito.

Refutamos então a primeira parte da frase do papa que: “são os comunistas os que pensam como os cristãos”, não, eles não pensam, eles querem dar uma solução temporal para um problema transcendental, somente Cristo é a solução para a humanidade.

A segunda parte da fala também não procede: Cristo falou de uma sociedade onde os pobres, os frágeis e os excluídos sejam os que decidam. Não encontramos nenhuma referência a isso nas escrituras.

Para ser honesto, podemos ler: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus Mateus 5:3 como uma promessa aos pobres, já que pobres de espírito pode ser utilizado como sinônimo de pobre financeiramente, já que em Lucas 6 só fale os pobres, no entanto, o texto bíblico não faz uma relação direta entre pobreza e a entrada no reino.

O texto, dentro do contexto, fala sobre a necessidade do reconhecimento de que somos miseráveis espiritualmente e completamente dependentes de Deus. Ao reconhecermos essa dependência, somos bem-aventurados, pois sabemos que nossa herança é o céu, é sermos participantes do reino de Deus.

O texto, nem qualquer outro, fala de um reino terreno governado pelos pobres, quem defende isso é o marxismo.

Outra coisa que o senhor Francisco fala dá a entender que para Deus não importa a fé, ele diz “os que têm fé em Deus ou não”, que Deus ajudará a todos e consequentemente, salvará a todos.

Sei que é muita conclusão de um conjunto de oito palavras, mas se para a implementação de um reino terreno baseado na ação cristã, não importa a fé do povo, será que levariam a fé em conta para o reino divino? Muitos acreditam que só por ser bonzinho já é suficiente para entrar no céu, que a bondade salva, não seria isso implícito na fala dele? Acredito que sim, tendo em vista a teologia Romana da salvação pelas obras.

A última parte da fala, diz assim: “mas são eles a quem temos que ajudar a obter a igualdade e a liberdade” aqui obtemos uma declaração que para o Papa, o reino de Deus será na terra em um tempo presente, não em um Reino transcendente, que vem do céu. Essa afirmação mostra que o objetivo do Papa é comunista e não cristão.

A liberdade bíblica é a liberdade de se achegar a Deus, a igualdade é que todos não são merecedores, mas são salvos pela graça e são igualmente constituídos filhos de Deus.

Conclusão

A problemática da fala do senhor Francisco é que tanto ele como Ariovaldo olham para o mundo com os óculos do marxismo, eles não deixam a bíblia ler a eles e suas visões de mundo, mas lançam suas visões de mundo sobre a bíblia na busca de justificar suas ações.

O cristianismo não precisa de uma filosofia da práxis, pois o cristianismo é uma prática de vida, é uma ação cotidiana para anunciar o Reino, falar da morte e ressurreição de Cristo, cuidar dos órfãos e das viúvas, atender o necessitado, auxiliar as famílias, fazer do mundo um lugar melhor, mas sabendo que o mundo presente está destinado a destruição e que a perfeição virá no céus.

Querer um mundo perfeito aqui é dizer arrogantemente que podemos ser melhor do que Deus, corrigir os erros nesta vida, coisa que a ação de Deus na história “não fez”, mas que a ação humana pode fazer.

Deus tem a solução para o mundo, se chama Jesus Cristo, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o plano de redenção nos leva para nova Jerusalém, para o novo Céu e nova Terra, para o Reino de Deus eterno, que não é feito pela ação humano, mas pela graça redentora de Deus, por meio de Cristo e a ação do Espírito Santo em nós.