Em um país onde 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro, é de se esperar que a ignorância predomine em todas as esferas. O meio “cristão-evangélico” se incluí nisso, principalmente porque possuem um livro que é considerado Palavra de Deus, mas o desprezam em seu estilo de vida.

Até mesmo os ímpios se escandalizam com algumas supostas igrejas e supostos pastores ensinando sobre um suposto “deus”, mas muita gente pensa que está tudo bem. Igrejas crescendo de forma exorbitante, colocando festas “gospel” (rave, shows, etc) e, aos olhos de muitos, isso é “avivamento”. Entretanto, o problema reside na falta de apego ao livro, como mencionamos acima, chamado por estes mesmos “crentes” de Palavra de Deus: Onde está na Bíblia a base para tais atitudes? Em que lugar encontramos ordens de Deus para que seja feito certas coisas como hoje é?

Tendo isso tudo como pano de fundo, listaremos aqui 5 benefícios de se ter a Bíblia (E SOMENTE A BÍBLIA) como regra de fé e prática:

 

  1. VOCÊ NÃO É ENGANADO POR FALSOS PROFETAS:

Desde que Deus deu início ao seu plano de redenção, Ele vem usando homens e mulheres (e em alguns casos, até uma jumenta) para ensinar o seu povo. Deus não só estava preocupado em ensinar o seu povo, mas em ensiná-los sobre o que é certo e o que é errado – Deus nunca ensinou sobre duas ou mais verdades, mas sobre uma única verdade (que é absoluta). Os verdadeiros profetas, chamados pelo próprio Deus para esse ministério, eram responsáveis por ensinar sobre Deus ao seu povo. Oséias fora um dos que viu de perto o que a falta de conhecimento causa: MORTE.

“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Oséias 4:6 ACF)

A falta de conhecimento sobre Deus não só causa destruição, como também rejeição do próprio Deus. Note que é dito que “porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei”. Desprezar o conhecimento apresentado nas Sagradas Escrituras não fará só com que pereçamos, mas acarretará também na rejeição vinda do próprio Deus.

Pessoas que rejeitam o conhecimento sobre Deus não são simplesmente destruídas, mas também enganadas. Elas acabam confundindo a voz do bom pastor, que é Jesus, com a voz de mercenários e falsos mestres (cf. João 10). Jesus mesmo adverte os seus discípulos, dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7:15,16 ACF). Se você não conhece a Bíblia, como saberá que alguém é falso profeta? De onde você vai tirar conhecimento para separar o que é comida de bode e o que é alimento de ovelha? A ordem de Jesus é clara: “cuidado com os falsos profetas”, mas o mesmo Jesus também afirma: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mateus 22:29 ACF). Não conhecer as Escrituras é se tornar presa fácil para qualquer um que chegar até você, dizendo: “Eis que te digo…”.

Devemos conhecer muito de Bíblia porque o próprio Satanás conhece, e assim como ele usou as Escrituras (de forma distorcida) para tentar Jesus, sua atitude será a mesma para conosco. Precisamos, portanto, nos aprofundar no que está escrito, porque foi assim que Jesus venceu Satanás: usando o conhecimento da Palavra de Deus (cf. Lucas 4.1-12).

 

  1. VOCÊ NÃO CANTA, NEM OUVE MÚSICAS HERÉTICAS:

Um outro meio pelo qual as pessoas são enganadas é exatamente a música. Por existir uma grande influência emocional por detrás de uma linda melodia, cantores “gospel” tem composto cada vez mais músicas onde une o “útil ao agradável”: uma melodia que mexe com o emocional somado à uma letra que coloca o homem no centro. Músicas como “sabor de mel”, “raridade”, “ninguém explica Deus”, “restitui”, entre tantas outras, são músicas que refletem exatamente esse cenário.

Deus, usando a boca do profeta Isaías declara: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura.” (Isaías 42:8 ACF). Como conceber a ideia de que Deus não divide a sua glória com ninguém, enquanto os supostos “louvores” centralizam o homem e só se canta aquilo que o homem é. Louvores onde há ditos como “você é precioso” resulta nisso. Já dizia nosso amado pr. Carlos Henrique, aqui da Igreja Batista de Limoeiro que os louvores contemporâneos não colocam Deus no centro do homem, mas o homem no centro de Deus, como se o Rei da glória necessitasse do homem para “viver”.

 

A Bíblia ensina com clareza qual é o verdadeiro louvor a Deus: Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.” (Hebreus 13:15 ACF). O louvor que agrada a Deus tem a ver com Jesus Cristo sendo confessado e não com o homem sendo exaltado. Portanto, se a Bíblia (E SOMENTE A BÍBLIA) é nossa única regra de fé e prática, é inaceitável que cantemos músicas que colocam o homem como Deus e Deus como um homem carente e fraco.

Concluo esse tópico dizendo que o nosso louvor a Deus deve ser feito com inteligência. Diz o Salmo: “Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantai louvores com inteligência.” (Salmos 47:7 ACF). Se a Bíblia, que é nossa única regra de fé e conduta nos orienta a cantarmos louvores com inteligência, é inaceitável que cantemos “louvores” onde o próprio Deus não é exaltado ou onde a carência de Bíblia é notória.

 

  1. VOCÊ APRENDE A DISCERNIR O QUE É O QUE NÃO É DE DEUS:

É muito fácil alguém chegar até você e dizer: “Deus mandou te falar que você vai ser curado”. Essa moda de “Deus mandou te falar” ou “Eis que te digo” é real em muitas igrejas. Além disso, temos também pessoas que se arrepiam durante o culto e dizem “senti a presença de Deus”. Um dos benefícios de você ter a Bíblia (E SOMENTE A BÍBLIA) como única regra de fé e prática é que você aprende a discernir o que vem de Deus e o que vem de uma mente conturbada e descontrolada emocionalmente. Por exemplo, Jeremias lidou com casos semelhantes a estes. Muitos “profetas” de sua época estavam “profetizando” sobre paz, mas Deus em momento algum havia ordenado que fosse anunciado qualquer tipo de paz. Deus afirma que tais profetas “falam da visão do seu coração, não da boca do Senhor.” (Jeremias 23:16 ACF).

Do mesmo modo, hoje em dia temos muitos “profetas” falando um monte de coisa que Deus nunca falou, e a prova disso é a falta de base bíblica para tais afirmações. Na maioria das vezes, esses supostos “profetas” jogam profecias genéricas do tipo “você que está com problema no casamento… creia, Deus te dará a vitória”. No público, mais de 200 pessoas e dentre elas muitas que são casadas. Quem não tem problema no casamento? Passam-se dois dias e o suposto casal que recebe a profecia se entende, resolve-se o problema e dizem: “a profecia do pregador deu certo, nossa vitória chegou”. Não, meus amados irmãos… não teve profecia alguma. A resolução dos problemas veio, primeiramente, pela reconciliação que é dever do casal. Ninguém precisa profetizar isso. A recomendação, porém, é que todo cristão genuíno fique longe de tais “profetas”. Nós não precisamos de novas revelações ou novas profecias nos dizendo o que é ou não para ser feito. Deus nos deu 66 livros, escritos por Ele mesmo, inspirado pelo Espírito Santo (2 Timóteo 3.16-17; 2 Pedro 1.20-21) para que não precisássemos acreditar em qualquer ladainha dita por aí.

Quando alguém disser que está “sentindo” alguma coisa ou dizer que “sonhou” algo no sentido revelacional, não hesite; busque nas Escrituras o amparo para tais pensamentos. É ideal buscar saber em que isso agrega na fé. Por exemplo, revelar que a irmã vai encontrar um marido edifica a igreja em quê? Isso fortalece a fé dos cristãos? Aponta para a cruz de Cristo? Exalta a soberania de Deus? E o mais importante: tem algum tipo de amparo bíblico? Se a resposta para tais perguntas for “não”, então é seu dever rejeitar tais visões, sonhos ou revelações. O principal benefício de se ter a Bíblia (E SOMENTE A BÍBLIA) como única regra de fé e vida é possuir um alicerce forte, consistente e inabalável. João nos adverte: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (1 João 4:1 ACF). Peça base bíblica. Sempre!

 

  1. VOCÊ APRENDE A MANEIRA CORRETA DE ORAR:

No contexto cultural brasileiro, a oração é vista pela maioria das pessoas como algo repetitivo. É trazida a ideia da Igreja Católica Apostólica Romana de que deve-se “rezar” não sei quantos “Pai nosso” para que seja perdoado (ou absolvido) de um pecado. Este, porém, é um entendimento que não possui amparo nas Sagradas Escrituras.

Um dos benefícios de ser ter a Bíblia (E SOMENTE A BÍBLIA) como única regra de fé e prática é que você não só aprende como orar, mas a quem orar. Muitos “crentes” tem feito orações para um “deus” que é um garçom; outros, para um “deus” que está nas mãos do homem. Mas se você tem a Bíblia como Palavra de Deus, você bem sabe que oração é relacionamento. Jesus nos deu o maior exemplo de que oração é relacionamento quando se retirava para orar. Um dos princípios ensinados na oração do Pai nosso é: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;” (Mateus 6:10 ACF). Conhecendo a Bíblia, saberemos que nossa postura diante de Deus não é a de merecedor, mas a de indigno. Não temos o direito de exigir da parte de Deus coisa alguma. Tem muita gente orando para um “deus” que não é o Deus da Bíblia, e só fazem isso porque não conhecem as Escrituras.

Quando a Bíblia guia nossa oração, nós oramos a fim de nos relacionarmos com Deus, entendendo que as coisas só vão acontecer se Ele, que é o Deus Soberano, quiser. Cremos como João: E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5:14 ACF). Sem a Bíblia para guiar nossa vida, caminhamos em uma estrada que leva ao inferno, não ao céu. Pensemos nisso.

É certo que os benefícios não se resumem somente a quatro. Deixamos aqui, porém, um pouco de como deve ser a postura do cristão diante das Sagradas Escrituras. Em um mundo onde o relativismo tem se tornado cada vez mais comum, a Bíblia é o único refúgio para aqueles que verdadeiramente nasceram de novo. Como verdadeiros cristãos, devemos nos apegar ao que a Bíblia diz e SOMENTE NISSO.  Não é a Bíblia acima de outros livros…é SOMENTE a Bíblia, e o que não está nela, deve ser imediatamente descartado.

Catecismo Puritano Batista, compilado por Charles Haddon Spurgeon:

Pergunta 2: Que regra Deus nos deu para nos ensinar como podemos glorificá-Lo?
Resposta: A Palavra de Deus, contida nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento (Efésios 2:20; II Timóteo 3:16) é a única regra que nos ensina como glorificar a Deus e ter comunhão com Ele (I João 1:3).

 

Clinton e Natali Ramachotte – 12/03/2018