O paradoxo da empatia (o ato desesperado de Peter Quil em Vingadores 3)

“Empatia, capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer etc.”

Para melhor entendimento de o que seria esse paradoxo da empatia, quero usar como exemplo o filme Vingadores Guerra Infinita, mais precisamente a cena em que alguns membros da equipe Vingadores juntos com os Guardiões da Galáxia estão praticamente tendo êxito, em seu plano de retirar a manopla do infinito da mão deThanos (vilão do filme) e então Peter Quill, intitulado por senhor das estrelas, perde o controle e parte pra cima do titã louco, desferindo vários golpes, Thanos se liberta da equipe e assim faz com que o plano da equipe vá por água abaixo. Logo no mesmo instante pude perceber o sinal de irá de todas as pessoas que estavam na sala de cinema, mostrando o descontentamento com a ação de Quill.
Assim foi gerada uma falta de empatia praticamente unanime em todas as pessoas que assistiram ao filme. Mas o porque ter empatia com Quill, quando sua ação foi equivocada e fez com que o plano de deter Thanos viesse a falhar? você poderia indagar.

Vamos tentar analisar como estava a cabeça de Quill até o presente momento. O senhor das estrelas havia perdido sua mãe quando ainda era apenas uma criança, não necessariamente precisamos já ter passado por essa experiência para sabermos o quão dolorido deve ser, perder a pessoa que muita das vezes é a mais importante de nossas vidas, com certeza é uma das piores dores que o ser humano pode ter em quanto vive.
Porém seu sofrimento não para por aí, Peter foi abduzido e criado por um mercenário chamado Yondu, que se torna a figura mais perto de ser um pai para ele e por sua vez Yondu morre em Guardiões da galáxia vol. 2. Perceba que até o momento todas as pessoas que Quill amava morreram, com exceção de Gamora. Mas em Vingadores 3 ela vem a morrer também. Então Quill, perde o controle ao saber que Thanos, matou Gamora o seu grande amor. Para se possuir a joia da alma, era necessário oferecer o pagamento de uma alma, se já não o bastante, teria que ser a alma da pessoa que o interessado na joia, mais amasse. Ao longo do filme vemos a ligação entre Thanos e Gamora, para ele Gamora era uma filha, logo a pessoa que ele mais amava e teve que a matar para dar continuidade em seu plano de possuir todas as joias.

Perder uma pessoa que você ama é uma sensação muito ruim, agora imagine perder todos que você ama. Criticar a ação de Quill é fácil quando não se está passando com você.
Em 1º João 4:7-8 diz: “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.”
Nós vivemos em uma era, onde julgar a ação de nosso próximo sem procurar saber o que levou a pessoa a cometer tal ato, tem sido muito comum. Preferimos acusar e mostrar de uma maneira ortodoxa onde o indivíduo errou do que o acolher com o amor que Cristo nos deixa e levar essa pessoa a entender como é realmente o andar das coisas. Uma pessoa que vive com o pecado instalado em sua vida precisa de tudo! Só não precisa de mais uma pessoa a dizendo que se ela não parar de cometer tais atos, irá para o inferno.
Talvez a empatia tenha sido esquecida por muitos cristãos, mas aqui se inicia o paradoxo, se nós nos denominamos cristãos e cremos na doutrina da justificação pela graça mediante a fé em Cristo Jesus, deveríamos ter a consciência de que toda a pessoa no mundo carece da misericórdia de Cristo para ser salvo, inclusive nós. Todos somos pecadores e necessitados das misericórdias de Deus como diz em Romanos 3:10 “Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.”

A doutrina da justificação deveria servir como um mecanismo para impedir que nós nos achemos melhores ou mais santos que uma pessoa que apenas ainda não conheceu a graça e o amor de Deus em sua vida. Talvez ainda a empatia ou a sua falta, sirva para mostrar o nosso caráter enquanto cristãos.
O fato de que talvez hoje nos encontremos em uma vida melhor, em relação ao que éramos antes de Cristo nos alcançar com sua misericórdia e graça, não nos dá se quer o menor dos méritos de atacarmos a vida de alguns dos membros de nossa igreja local que infelizmente ainda não conseguiram se libertar de algumas práticas erradas.
A falta da empatia hoje, tem se mostrado um dos principais fatores pelos quais muitas pessoas se achegam a alguma igreja e logo saem, saem por conta dos comentários e até mesmo pelos olhares de reprovação, que muitas vezes vem de nós os que deveríamos ser os representantes do amor de Cristo.

Não quero através deste texto dar legalidade para que nós paremos de atacar o pecado, muito pelo contrario o pecado deve ser combatido ferozmente, mas sim tentar te levar a refletir que por trás do pecado de cada indivíduo, a uma pessoa presa e necessitada da graça divina, assim como era conosco antes de Cristo nos chamar.
Olhemos para o seguinte relato da Mulher que foi apanhada em adultério descrito em João 8: 1-11, uma mulher é pega cometendo adultério, segundo a lei, ela deveria ser morta, como encontramos em Lv 20:10 e Dt 22:22-24 e é com essa condição que os escribas e fariseus se achegam perante a Cristo, veja o verso 5 “Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz?” entretanto a resposta de Jesus é a mais sábia possível, veja o verso 7 “Visto que continuavam a interrogá-lo, ele se levantou e lhes disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”. E então a mulher estava livre da morte naquele momento, já que os que a acusavam, deixaram suas pedras no chão e voltaram para trás. No entanto, Cristo a perdoou mas não deixou de atacar o seu pecado, veja o verso 11 “Ninguém, Senhor”, disse ela. Declarou Jesus: “Eu também não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de pecado”. Jesus a perdoa e mostra sua graça a ela, mas não deixa de mostrar que uma mudança era necessária.

Vendo este relato, o que nos faz pensar que temos a condição de primeiramente atacar o pecado sem antes amar o pecador. Cristo era o único em real condição de a julgar, porém, usa de misericórdia para com ela e nos deixa um grande exemplo de amor.
Que através desta reflexão Deus possa mudar nossa mentalidade, e nos chamar a sermos seres mais amorosos, seres que são realmente amor, incapazes de ser amorosos igual a Deus, mas ainda assim, empáticos.

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