Igreja como nós; nós como igreja

O propósito deste texto é refletir sobre alguns aspectos que, acredito, passam desapercebidos por muitos. Quero ajudar a entender, não redigir uma teologia sistemática nem uma pesquisa exaustiva, mas discorrer sobre os assuntos que me chamam à atenção na hora da leitura das passagens.

Neste momento, quero pensar sobre aspectos macro e microtextuais[1] que estão presentes em Romanos 1:8-17. No aspecto macro, é interessante que, ao ler esta passagem, perceberemos que a igreja em Roma tem muito de nós. Digo isso porque temos uma igreja que é feita de gentios, isto é, pessoas que não faziam parte do “Povo de Deus”, os judeus. Isso também revela muito da própria carta de Paulo aos Romanos, pois, se é uma igreja feita de gentios, podemos ter ciência de que a carta à igreja de Roma é muito mais evangelística do que as outras cartas. A carta paulina aos Romanos é, de fato, uma carta que vai ao encontro de gentios, não de judeus, por isso entendo que é mais evangelística. Ela nos dá um vislumbre maior da graça de Deus em salvar um pecador. É um evangelho fora dos evangelhos.

No espectro micro, quero destacar algo sobre os dons. É, os dons! Não um dom específico nem os mínimos detalhes dos dons, mas uma visão de para que servem. No versículo 11 temos: Desejo muito visitá-los, a fim de compartilhar com vocês alguma dádiva [dom][2] espiritual que os ajude a se fortalecerem. Aí você pergunta: o que esse cara quer dizer com isso? Simples. O que eu quero deixar claro é que dom (ou dádiva) espiritual é:
1) um presente que Deus te concede. E isso me faz pensar em outra coisa: só Deus pode te dar um dom. Deus te dá um presente que unicamente Ele te dá, mais ninguém e nem você mesmo pode se dar um dom;
2) Deus te dá um dom; use-o para o bem da Igreja.

Paulo (pelo menos para mim) deixa claro qual é a natureza do dom espiritual: fortalecer a Igreja. O povo de Deus deve se se fortalecer com o seu dom. Se você tem algum dom específico, use-o de modo que a Igreja de Deus na terra possa usufruir junto com você e crescer junto com você.
Eu vou usar um exemplo bem claro e super utilizado por muitos: o dom de línguas é para você mesmo? Deus te dá o dom de falar em línguas para que você se sobressaia na Igreja? Se sim, então porque em 1 Coríntios 12:10 diz:  A outro, ainda, dá a capacidade de falar em diferentes línguas, enquanto a um outro dá a capacidade de interpretar o que está sendo dito.? É uma coisa lógica: para que a igreja seja edificada, um, com certeza, pode ter o dom de falar em línguas, mas precisa que haja alguém que interprete, porque senão ninguém entende e, consequentemente, só um é edificado. Outro exemplo: quem um que tem o dom de mestre vai servir a quem com o seu dom? À igreja. Portanto, o dom não é de quem o ganha, mas de Deus, para a edificação da igreja dEle.

Que pensemos nos nossos dons com sobriedade de mente, para que, com eles, a nossa igreja possa ser edificada e cresça em graça e conhecimento de Deus.

[1] Por macro, entenda que temos um vislumbre para fora do texto-base, ou seja, nossa reflexão basear-se-á no texto, mas não intrinsecamente, vamos fazer ligações com outros textos e com estudos propostos por teólogos. Por micro, aí sim, faremos uma inserção no texto-base relacionando-o com outros textos.

[2] Acho que é bom deixar claro que minha versão é a NVT (Nova Versão Transformadora). Quem quiser dar uma olhada, vai no site da Editora Mundo Cristão (www.mundocristao.com.br) e dá uma olhada. É bem legal. P. S.: Para quem lê a Bíblia no smartphone, tem o aplicativo da NVT lá. É só baixar.

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