O caos da Espiritualidade exagerada

Hoje, como em nenhum outro tempo, nunca tivemos tantos atrativos para ser “gospel” como em nossa geração. Há uma facilidade e até uma vantagem em ser desse meio. Temos também uma variedade de cantores, pregadores, igrejas, campanhas, etc. Fazendo com que o cristão não se sinta fora da caixa do mundo, mas, perfeitamente encaixado com um “plus” de crente em seu interior. Com essa novidade, veio também uma outra marca para esses, que é a espiritualidade exacerbada. São pessoas que oram com um padrão emocional característico, fazem momentos extravagantes em seus cultos e louvores e usam de uma linguagem informal com Jesus como “lindão”, “cheiroso” ou o “Jesus ta metendo o louco aqui”.

Entretanto, deixemos o perfil “cristão teen” um pouco de lado agora e convido o leitor a refletirmos em algo mais grave, que é a espiritualidade exagerada ou a falta dela que é preenchida com malabares “sobrenaturais”. É extremamente fácil identificarmos um movimento espiritualista, comumente caracterizado por impactos de orações, misticismos, palavras motivacionais e pensamento positivista. São pessoas focadas em querer adentrar no mundo espiritual e tratar tudo como algo sobrenatural e misterioso. Achando os mesmos, que, se “sacrificarem” em oração ou misticismos em conjunto, conseguiram ter uma espécie de relação diferente e maior com Deus e que assim poderão mover o favor dEle. Outra característica importante do espiritualista, é que ele trata a pessoa do espírito santo com uma maior exclusividade. E não estou falando de um cristão pentecostal, no caso do espiritualista, ele trata o consolador como um deus separado, que pode oferecer o sobrenatural, a elevação espiritual que ele tanto procura.

Embora muito fervoroso na oração, o espiritualista ignora a palavra. A trata como apenas um meio de leitura, de meditação rasa, onde a sua intimidade e conhecer de Deus, não se baseia muito na palavra, mas sim em passar mais tempo em oração. São pessoas fracas teologicamente, que não tem a espada da verdade afiada assim como acham que tem o seu espiritual. Temos que lembrar que é a palavra da verdade que nos liberta (Jo 8.32) e que todo cristão deve maneja-la muito bem (2Tm 2.15) pois ela é útil para o ensino e repreensão, e para que sejamos apto e preparados para toda boa obra. (2Tm 3.16-17) Sendo assim, o falso avivalista falha em querer colocar a oração acima da palavra, pois como falar horas e horas com alguém que você não buscou conhecer? com um desconhecido? Entenda que não estou tirando o mérito da oração, nem que eu seja um cristão frio. Claro que não. Estou falando de um equilíbrio entre os dois pontos importantes de relacionamento com Deus. Mas eu não vejo como você pode dar prioridade a oração, a intimidade, sem antes conhecer ao Deus das escrituras, as suas características, seu agir na história humana, a pessoa de Jesus e até a história do cristianismo desde os apóstolos.

Contudo, não estou falando que você precisa de um conhecimento minucioso sobre todas as áreas, mas, o cristão precisa ser um teólogo, para primeiramente conhecer o que acredita e conhecer a Deus e para defender a sua fé e persuadir através da evangelização. Os espiritualistas, esquecem que os grandes avivalistas, todos eles, tinham uma grande base teológica, muitos foram grandes pregadores do evangelho e conhecedores da palavra, eles dedicam sim, muito tempo em oração, mas também se dedicavam em conhecer a Deus através das escrituras. Tendo vista esses poucos pontos, é muito fácil um jovem ser persuadido ao espiritualismo, pois não exige base teológica básica para o envolvimento. Muitas vezes eles são direcionados rapidamente para esses movimentos a fim de que permaneçam na congregação por estar participando ou por experimentar o “sobrenatural”. Líderes precoces, sem doutrina, caem no encantamento da espiritualidade exagerada e vivem de misticismo mas não tem um pingo de zelo pela palavra. é uma caverna oca que repete os sons que escuta do seu superior espiritualista mas não tem preenchimento em nada de conhecimento de Deus.

A solução para a espiritualidade exagerada é crescer na graça e no conhecimento do Senhor Jesus (2Pe 3.18) é entender que precisam equilibrar a vida espiritual, entre a palavra e oração, exercitar ambos na mesma sintonia. É abandonar o misticismo e a falsa elevação espiritual através de ritos espirituais. Precisam entender que para viverem de forma digna ao Senhor de maneira que possam agrada-lo eles necessitam de que, em suas orações, pedir para serem cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual. (Cl 1.9-10). Lembre-se que antes de orar no espírito, em Efésios, é citado que deve-se estar armado com a espada do espírito que é a palavra de Deus. (Ef 6.18-19)

A minha oração hoje, é que os jovens não se percam na falsa espiritualidade, para que não fiquem no raso, no superficial. Eu peço que estudem a palavra como algo importante para suas vidas. Que leiam a bíblia e busquem estuda-la com zelo, conhecendo o Deus das escrituras, conhecendo a pessoa de Jesus na história. E que mantenham a vida de oração, com certeza, diariamente, mantenham sua relação com Deus. Entendo que, deve se haver um equilibro entre ambas as atividades, assim como um pássaro precisa das duas asas para voar. O cristão deve ter sua vida baseada em uma vida teológica e uma vida espiritual com Deus. Sem misticismos, sem falsos ritos e meios sem coerência bíblica para elevação espiritual. Apenas o bom e velho evangelho, puro e simples.

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