O Evangelho é histórico, portanto a ressurreição é verídica.

O Evangelho é histórico, portanto a ressurreição é verídica.

 

INTRODUÇÃO: Nenhuma outra crença no mundo é como o Cristianismo. É uma fé histórica, baseada num Deus que existe, que mandou seu Filho, e Ele veio mesmo, viveu, morreu e ressuscitou. Não é como o budismo ou hinduísmo, que ninguém viu nem prova. Jesus foi visto, ouvido e sentido.

ELUCIDAÇÃO: Autoria: Paulo, Data: escreveu em Éfeso, quando da sua 3ª viagem missionária (53 – 57 d.C). Paulo fundou esta igreja entre os anos de 50 – 52 d.C. Características da carta: É uma exortação à maturidade espiritual. Contexto do texto: Paulo está defendendo a exclusividade do Evangelho e de sua mensagem de que haverá ressurreição tendo em vista que Cristo ressuscitou.

1 – Porque Paulo “entregou o que recebeu” (v.3a)

Este verso começa com a expressão “antes de tudo”, ou seja, antes de qualquer outra doutrina mais profunda que o apóstolo tenha ensinado, ele pregara, “antes de tudo”, o que era mais básico, mais essencial. Ele mesmo havia aprendido, ou seja, ele mesmo havia sido discipulado.

Leon Morris diz que “antes de tudo” não se refere ao tempo, mas a importância do que havia ensinado, que era a mesma que ouvira dos mais antigos (p. 164). Calvino, falando acerca dessa mesma expressão, compara-a a um alicerce que foi lançado para que os demais ensinos viessem em seguida (Calvino, I Coríntios, p. 448).

O que é colocado em evidência aqui é a natureza derivativa do Evangelho. Paulo não deu origem a mensagem que estava transmitindo. (Morris, p. 164). O Evangelho era algo que ele mesmo recebera; o apóstolo só estava “passando para frente”.

Estes verbos, “entregar” e “receber” são termos técnicos, usados no mundo antigo, para se referir às tradições que eram  ensinadas e aprendidas. É importante Paulo ter usado estes verbos, pois, no seu tempo significava que ele não estava dando sua interpretação do Evangelho, mas estava sendo fiel ao que aprendeu dos discípulos mais antigos. O Evangelho é histórico porque Paulo estava afirmando que o que ele já havia ensinado aos coríntios, durante um ano e meio, não saiu de sua cabeça, mas ele mesmo aprendera e, como apóstolo, era sua função ensinar sem aumentar nem diminuir.

 

2 – Porque as Escrituras são verdadeiras (v.36, v.4)

A partir dessa afirmação entra em questão o princípio mais básico do Cristianismo, a fé nas Escrituras. Paulo poderia ter sido um fanático religioso sem nenhum embasamento para pregar suas crenças, mas não era assim. A expressão poderosa que ele usa para embasar sua fé é “segundo as Escrituras”. O apóstolo cria na veracidade histórica das Escrituras, na autoridade máxima do que estava escrito; sua fé era baseada na autenticidade da Bíblia (A.T), que, sem sombra de dúvidas, é inerente.

Mas o que era segundo as Escrituras? Na verdade, uma breve confissão de fé da igreja primitiva é reafirmada por Paulo: 1 – a morte real de Cristo pelos nossos pecados; 2 – o seu real sepultamento e 3 – a sua histórica ressurreição.

Em 1º lugar, a morte de Cristo é real na mente de Paulo. Jesus Cristo morreu mesmo; não ficou em coma, nem bebeu alguma poção que o fez resistir as dores da crucificação para depois parecer morto. Jesus Cristo morreu mesmo. E não apenas isto, Ele morreu pelos nosso pecados, ou seja, sua morte foi expiatória (no lugar de outrem). A “morte expiatória” é a primeira parte desta confissão de fé. E foi segundo as Escrituras. Mas que Escrituras? As do A.T, já que o N.T não havia sido escrito ainda. Ou seja, a morte substitutiva de Cristo já era prevista (Is. 53).

Em 2º lugar, Jesus Cristo foi sepultado. É uma afirmação importante que depois faria parte do Credo Apostólico. Ou seja, Paulo, assim como outros apóstolos, preocupados com os falsos ensinos que estavam entrando nas igrejas, reafirma que Jesus Cristo não só morreu, mas foi para o túmulo.

E em 3º lugar, o ponto central deste capítulo 15 é: Jesus Cristo ressuscitou ao 3º dia. O termo, segundo Morris é: foi ressuscitado. Isso dá ênfase especial a atividade do Pai na ressurreição do Filho (Morris, p. 165). Morris ainda diz que o tempo perfeito é usado seis vezes, só neste capítulo, com referência a ressurreição de Jesus Cristo, o que propõe uma força tremenda ao caráter permanente e contínuo deste acontecimento. Ou seja, Jesus Cristo foi ressuscitado e continua ressuscitado até hoje e continuará para sempre. A expressão “segundo as Escrituras” é de difícil interpretação, pois o A.T não diz nada sobre quantos dias o Messias iria ficar no túmulo. Essas Escrituras, das quais Paulo fala, pode ser algum escrito apostólico, de sua época, já tomado como canônico.

Em suma, o Evangelho é histórico porque as escrituras não podem mentir ou falhar. Paulo cria nas Escrituras e ordenava, com esses argumentos, que os coríntios também deveriam crer sem lugar para qualquer dúvida. Cabe citar o Salmo 119. 160a: “As tuas palavras são em tudo verdade, desde o princípio…”.

 

3 – Porque há testemunhas oculares dos fatos (v.5 – 8)

Paulo agora sai do campo da fé nas Escrituras somente e vai para o campo da fé no testemunho dos outros apóstolos e discípulos. Como já foi dito, Paulo não criou o Evangelho ele o recebeu de outros e o confirmava pelas Escrituras. Havia inúmeras testemunhas e isso é válido para a fé cristã. A fé cristã é histórica e não mística, mágica, improvável ou irracional.

O apóstolo afirma que o que as Escrituras predisseram foi cumprido e muitos viram com seus próprios olhos. O v.5 diz que apareceu 1º a Cefas, mas Marcos (16.9) diz que apareceu a Maria primeiro, porém Paulo estava falando sobre a autoridade do ensino apostólico, por isso cita Pedro em 1º lugar (Calvino, p. 450). Da mesma forma, a expressão “apareceu aos 12”, apesar de Judas já ter morrido, segundo Calvino, deve ser tomada como um modo tradicional de se referir aos apóstolos escolhidos. Tornou-se uma expressão convencional (Calvino, p.450).

Depois de ter aparecido aos apóstolos, apareceu a mais de 500 pessoas e “a insistência de Paulo de que a maioria ainda estava viva mostra a confiança com que pode apelar para o seu testemunho. [Essas pessoas] podiam ser interrogadas, e os fatos postos as claras” (Morris, p. 166). Logo, para Paulo, o Evangelho é histórico porque em seu tempo, ainda havia centenas de testemunhas oculares.

E por fim, o Evangelho é histórico porque: o próprio apóstolo Paulo se posiciona como uma inegável testemunha de que Jesus Cristo ressuscitou e de que está vivo e vivo para sempre. Com isso ele concorda com João no Apocalipse (5.6,12). Ele mesmo está entre os que viram o Senhor já ressuscitado, apesar de pensar em si mesmo como o último da fila (Morris, p. 166), quando diz “e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim…”.

 

 

 

APLICAÇÃO:

O Cristianismo apela para a fé nas Escrituras e no testemunho apostólico. É uma doutrina que pode ser pesquisada, que pode ser estudada. Jesus Cristo nasceu, morreu e ressuscitou. Ele está vivo para sempre. Os apóstolos não mentiram, eles ensinaram o que aprenderam e o que viram e ouviram. Paulo e os outros dizem pra nós hoje que, diferente das demais religiões, o Cristianismo é histórico. Não nasceu na mente dos homens, mas no coração de Deus. Foi Ele que criou tudo e que mandou seu Filho, em carne, quem o ressuscitou ao 3º dia. Esse mesmo Deus nos dá a esperança da ressurreição.

Não duvidemos da ressurreição, você e eu seremos felizes e estaremos para sempre com o Senhor. Não somos infelizes, mas os mais felizes de todos os homens, pois quando ressuscitarmos seremos completos, assim como Deus planejou que fôssemos. Essa é maior esperança dos que crêem: uma vida eterna com Jesus Cristo. Ele prometeu e suas palavras não tornam atrás. Jamais percamos a fé nas Escrituras e no testemunho desses homens que deram a vida pregando as verdades de Jesus e o único Evangelho da salvação. Sigamos seus exemplos até a morte, se for necessário.

 

CONCLUSÃO:

Conclui-se, pois, que o Cristianismo é a única religião verdadeira, sem invenções dos homens, mas é a religião de Deus, que Deus mesmo se revelou ao homem. Sua mensagem é única, não há mudanças. A mensagem é histórica, redentiva e deve ser mantida assim com ameaças de maldições se for alterada por quem quer seja.

 

 

 

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