Lições em George Whitefield aos Jovens Cristãos – Homens Norteados

1 Coríntios 11.1 Sede meus seguidores, como também eu o sou de Cristo. (Bíblia BKJ 1611 FIEL)

“Lições em George Whitefield aos jovens cristãos” (Título Original)André Luiz Bispo

Apresentação:

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro, que o seguinte material, foi produzido a partir de uma inquietação, baseada no versículo que apresentado acima. Quando lemos esta afirmação do Apóstolo Paulo, não nos incomodamos? Confesso, este trecho muito me incomodou! Quantos de nós temos coragem para dizer “Imite-me, eu estou imitando a Cristo”, “Siga-me, pois sou seguidor de Cristo”, é uma afirmação difícil de ser dita, porém deve ser dita. Somos imperfeitos, isto é fato, porém devemos buscar imitar o nosso Mestre e dizer a outros, imite-me, pois, imito ao Mestre. Prosseguindo, este versículo me deixou pasmo, quando pensei “nunca serei como Paulo, é impossível, ele foi Paulo, realizou milagres, realizou diversas viagens missionárias, plantou igrejas, fez discípulos, como serei assim?”, então, busquei por homens, “pós-bíblicos”, que tivesse vivido uma vida assim, homens que poderiam dizer “Seja meu seguidor, pois sou seguidor de Cristo”, para minha alegria, muitos foram encontrados, destacando neste material George Whitefield.

Neste material realizo uma exposição sobre o ilustríssimo George Whitefield, trazendo reflexões para os jovens, uma síntese, baseada nos ensinos e preceitos vividos por ele. Trazendo aplicações cabíveis aos nossos dias, aos nossos jovens. Dividi este material, em seções características: biografia (que abordará sua vida, antes de sua conversão, até o momento em que foi regenerado), ensino (sua teologia e método de culto), vida espiritual (sua piedade, e suas disciplinas espirituais), por fim seu legado e lições (seção que abordará aplicações baseadas no que fora exposto, sobre este homem piedoso).

Talvez a esta altura de sua leitura, já tenha se perguntando a razão de ter optado por “George Whitefield”, “Por que não Calvino, Jonathan Edwards, Augustus Nicodemus ou R. C. Sproul?”, a resposta a este questionamento é simples, mas nem tanto assim. Não desprezando de forma alguma tais teólogos, tantos outros que nem mesmo foram mencionados, escolhi Whitefield por alguns questões particulares, que espero que sejam perceptíveis ao longo do texto, todavia, introduzindo a estas respostas, a priori o escolhi por seu esquecimento, afinal, pouco se houve falar sobre George Whitefield em nosso meio, inclusive a literatura sobre ele é escassa, Analisaremos aspectos como sua vida depravada (antes de sua conversão), seu apreço evangelístico, a convicção que ele tinha por seu chamado, seu foco particular em temas como regeneração, uma vida com Deus, arrependimento e marcas de uma verdadeira conversão, além de podermos relacionar seu aspecto pessoal e físico, trazendo assim, certas reflexões a juventude do século XXI. Com estas informações, desejo que este material seja proveitoso para fortalecimento e encorajamento de jovens, através de mentes transformadas e perseverantes no ensino bíblico.

Lições em George Whitefield aos Jovens Cristãos:

PARTE 1:

Biografia, ensino e vida espiritual:

George Whitefield, nascido em 16 de dezembro de 1714, na Inglaterra, em Gloucester, foi o filho de número 6, do casal Thomas e Elizabeth, proprietários de uma hospedaria chamada de “a Pousada do Sino”. Thomas morrera quando George era ainda criança, por volta de seus dois anos de idade, sendo criado somente por sua mãe até os seus oito anos, quando Elizabeth casou-se novamente, casamento aquele que resultara em divórcio. Aos 9 anos de idade, era evidente sua desenvoltura no tocante a apresentações e atuações públicas, possuía uma oratória absurda, um método de dramatização que entretinha os hóspedes da pousada, com toda a sua habilidade. Mal sabia ele, que seus talentos viriam a servir de grande suporte, em seu futuro ministério.

George tornara-se um garoto levado, inquieto, completamente depravado, cometendo furtos, praticando a mentira, proferindo muitos palavrões, Whitefield, em resumo, conheceu e cedeu a muitos dos pecados aos quais a juventude está mais sujeita a cometer. (Adaptado do livro “O zelo evangelístico de George Whitefield” do Steven J. Lawson, 2013).

Quando ele mergulhou em sua fase mais pecaminosa, abominável por sinal, não se sentia feliz nos pecados que cometia, tinha sua consciência sensível aos erros cometidos. Naquela fase sombria de sua vida, chegou a abandonar a escola por algum tempo, dedicou-se a servir bebidas num bar em Gloucester, percebendo posteriormente o erro que havia cometido, retomou a vida escolar, ingressando a faculdade de Oxford aos 18 anos. Para custear sua faculdade, Whitefield trabalhava como uma espécie de serviçal dos estudantes mais ricos, limpava seus quartos, lavava suas roupas e preparava suas refeições. Mesmo com todas estas demandas, buscava manter uma boa comunhão com Deus, orava, jejuava, mas não encontrava descanso em sua alma, afinal, como o próprio George relata em seus diários, seus ancestrais sempre foram autoridades na Igreja da Inglaterra, daí certa noção sobre vida cristã.

Certo tempo depois, foi apresentado por Charles Wesley, a um grupo de estudos religiosos “Clube Santo de Oxford”, dentro da faculdade – vale a pena ressaltar, nenhum dos membros deste Clube Santo era realmente convertido -. George buscava uma rígida disciplina espiritual, de modo que pudesse se apresentar como bom diante de Deus, pelo peso que sentia pelos seus pecados, tentava de diversas formas ser digno de merecimento de sua própria salvação, o que de fato, nunca aconteceria.

Em 1735, aos seus 21 anos de idade, lendo um livro (do Henry Scougal – A vida de Deus na alma humana), que em suma apresentava que a salvação do homem não viria por suas próprias obras e méritos, mas somente através de regeneração divina, Whitefield viu-se agoniado por sua condição e iminente condenação de sua alma. O pobre jovem investira tanto tempo em nascer de novo por seus próprios meios, que quando enfim, nasceu de novo, este se tornou o principal tema de todo o seu ministério.

Seus amigos Charles e John Wesley, partiram a uma viagem missionária nos EUA, deixando George como o líder do Clube Santo, ele buscava evangelizar seus colegas de curso e realizava grupos de estudo para novos convertidos. Ao concluir seu curso, foi ordenado como bispo em sua cidade natal, em 20 de junho de 1736, com seus 21 anos de idade ainda, o que para época era a quebra de uma regra, que não permitia que fossem ordenados clérigos com menos do que 23 anos de idade.

Em sua primeira pregação, na igreja em que foi batizado em sua infância, em que também participou de sua primeira Ceia do Senhor, teve como presença garantida seus familiares, amigos e conhecidos, resultando em uma igreja lotada. Foi possível enxergar, naquele sermão, um homem diferenciado, que causou um efeito inusitado em seus ouvintes, 15 pessoas entraram em estado de “loucura” (como foi descrito por Martin Lloyd-Jones), impactados pela pregação daquele homem, de forma que o bispo oficial daquela igreja, simplesmente desejou que a “loucura” destes 15 membros não fosse esquecida.

Realizou diversas viagens, pregou em diversas cidades, por onde passava atraía atenção, atraía multidões. Whitefield pregava com seu ser, pregava com autoridade, poder e convicção. Pregou diversas vezes a respeito da necessidade do novo nascimento, chegando a criticar alguns dos líderes e pregadores da Inglaterra, que definitivamente não eram regenerados, então muitas portas de igrejas se fecharam para o jovem George (o que acabou motivando seu ministério fora de quatro paredes). Sua teologia era repleta dos ensinos de João Calvino, abraçando especialmente o TULIP (“Os cinco pontos do calvinismo”), pregou incansavelmente sobre arrependimento, assim como “Andando com Deus”, temas que são inclusive essenciais à vida cristã como um todo.

Certa feita, Whitefield estava em preparações para realizar uma viagem para os EUA em missão evangelística, ao receber a notícia de que não haviam navios disponíveis para aquela época, decidiu fazer uma visita aos seus parentes, numa cidade vizinha a Gloucester, Bristol, e foi para lá. Quando em Bristol recebia notícias de que haveriam cultos, marcava sua presença, não era apenas um pregador incessante, mas um membro da Igreja ativo, que lutava por sua unidade, deixando de lado diversas “barreiras”, como por exemplo, tinha grande afeto por seus amigos arminianos Charles e John Wesley. Durante um destes episódios de cultos em Bristol, Whitefield, sentado em meio a congregação, acompanhava o culto, quando de repente, o homem que deveria pregar, percebeu que ele era o “Doutor Olho Torto” (apelido para George, devido a seu problema de desvio nos olhos), então o próprio George diz que: “Eu tinha as anotações de um sermão no bolso, de modo que concordei em pregar”.

Sua primeira pregação ao ar livre acontecera em fevereiro de 1739, com 24 anos. Pregou em um campo próximo a uma mina, tendo como ouvintes um pequeno ajuntamento de mineradores de carvão e seus familiares, totalizando no máximo 200 pessoas. Pregou sobre a graça salvadora de Jesus, sobre Cristo ter estado entre os pecadores, não ter vindo para os justos nem os nobres e sim, para levar pobres pecadores ao arrependimento. Diversos ouvintes sentiram-se tocados e converteram-se ao senhorio de Cristo, o que marcou fortemente a vida de George, delineando um novo rumo para seu ministério. Dessa ocasião em diante, para que Whitefield pregasse, bastava um campo aberto, um local em que pudesse ajuntar pessoas, para que ouvissem o que ele falaria a respeito de Cristo. Seus próprios diários registram que ele pregava para cerca de 22 mil pessoas por dia! Whitefield pregou a céu aberto, em cemitérios, em mercados, em navios, em diversos locais, ele vivia para pregar!

Ao final de suas pregações Whitefield arrecadava doações, que serviriam como sustento para as sociedades religiosas beneficentes, criadas por ele, assim como para o mantimento da escola fundada por George, para os filhos dos mineiros e de outras classes sociais carentes. Atitudes assim demonstravam seu grandíssimo amor pelas almas perdidas, George investiu sua vida nisso, pregar salvação aos perdidos, anunciar o evangelho a todos os que pudessem ouvi-lo e a prática das boas obras. Whitefield não se deixou ensoberbecer por sua capacidade de reunir 22 mil ouvintes simultaneamente, afinal sabia que seguia o ensino calvinista “O ensino de João Calvino primeiramente humilha o homem; glorifica a Deus. Faz o homem se sentir insignificante, se sentir pessoa inútil; e por mais privilegiado que seja, ou mais capacitado para realizações, ele sabe que é Deus que o faz.” (Extraído da obra “Os Puritanos suas origens e seus sucessores, de Martin Lloyd-Jones, 2016, pág. 133)

A liderança da igreja da Inglaterra realizava ataques a George, ofendendo-o até por sua aparência, visto que Whitefield era um homem gordo, de olhos vesgos. Porém para ele, isto não fazia qualquer diferença, ele não queria ser reconhecido como um belo homem e sim como um bom servo. Era perceptível a convicção que ele tinha por seu chamado, seu dever, sua missão, então a realizou com todo afinco, com todo amor, com toda sua capacidade, quantos de nós tem tanto amor quanto Whitefield tinha em seu ministério?

Whitefield morreu na madrugada do dia 30 de setembro e 1770, com 55 anos, ele já não tinha tanta desenvoltura quanto antes em suas pregações, já não falava tão articuladamente, já não tinha o mesmo vigor. Entretanto, na noite anterior ao dia 30 de setembro Whitefield fora convidado para pregar, uma multidão estava reunida o esperando, e lá estava ele, articulando frases, com certa demora, de maneira dificultosa, porém aos poucos ele começou a reviver sua pregação, pregando por cerca de duas horas a toda aquela multidão, sedenta pela Palavra. Então, quando se retirou para dormir, recebeu um castiçal com uma vela, para que se locomovesse com segurança, porém para onde quer que George fosse, a multidão o acompanhava, fazendo questionamentos, querendo ter qualquer que fosse o ensinamento da parte dele. Então, tentando se afastar da multidão, Whitefield começa a subir a escadaria, em direção a seu cômodo, com a vela acessa em mãos, então, olhou para trás, viu a multidão anelante por ensinamentos e fez uma exortação que durou o suficiente para que a vela queimasse de uma ponta a outra, restando somente o castiçal em suas mãos. Então, chegando ao quarto, deitou-se, durante a madrugada teve uma asma cardíaca, e faleceu. (Trecho adaptado de “Os Puritanos suas origens e seus sucessores, de Martin Lloyd-Jones, 2016, pág. 143)

George realizou, em todos o seu ministério, 7 viagens missionárias da Inglaterra para a América, totalizando 13 viagens longuíssimas em embarcações, a mais de 300 anos atrás, se ainda hoje é um tanto quanto cansativo fazer este tipo de viagens, imagine no tempo desse homem. Estima-se que ao longo de seus 34 anos de ministério, George Whitefield pregou 18 mil sermões.

Whitefield foi responsável, sendo líder e pioneiro, pela frutificação do Avivamento do Século XVII – “O Avivamento Wesleyano”, em que a Inglaterra se encontrava morta, cheia de bebedeiras, farras e diversidade de denominações religiosas. Ele declarava: “Que o nome de George Whitefield seja esquecido e apagado, na medida em que o nome do Senhor Jesus seja conhecido”. Teólogos como Martin Lloyd-Jones, estudando suas pregações, chegaram à conclusão de que “Whitefield foi o maior pregado inglês de todos os tempos”, “não se podia pôr as pregações de Whitefield no papel”, afinal, “ele não sentava para escrever maravilhosas obras-primas literárias de sermões […] o que caracterizava a sua pregação, porém, era o zelo, o fogo, a paixão, a chama. Ele era um pregador muito convincente e alarmante.” (Trecho adaptado de “Os Puritanos suas origens e seus sucessores, de Martin Lloyd-Jones, 2016, pág. 150).

PARTE 2:

Legado e lições:

Através da vida e obra de George Whitefield podemos aprender inúmeras lições, dentre elas, destaco pontos em que precisamos ser como Whitefield foi, precisamos depender unicamente de Deus, como Whitefield dependeu, precisamos buscar uma vida de intimidade com Deus, como Whitefield buscou, precisamos demonstrar amor pelas almas, como Whitefield demonstrou e precisamos ter paixão pelo nosso chamado, como Whitefield teve. Estas, são as 4 lições aplicáveis aos jovens cristãos de nossos dias, baseadas na vida de um homem piedoso como foi George Whitefield.

Precisamos depender unicamente de Deus, como Whitefield dependeu:

Um homem pode frequentar a igreja, fazer suas orações, receber o Sacramento, e, no entanto, […] não ser cristão. […] Senhor, se eu não for cristão, se eu não for um cristão autêntico, por amor de Jesus Cristo, mostra-me o que é o cristianismo, para que eu não seja condenado em última instância. Leio um pouco adiante, e o engano foi descoberto. Oh, diz o autor, os que conhecem alguma coisa da religião sabem que é uma união vital com o Filho de Deus, Cristo formado no coração. Oh, que raio de vida divina rompeu então sobre minha pobre alma. (Trecho de Arnold A. Dallimore, George Whitefield: God’s Anointed Servant in the Great Revival of the Eighteenth Century (W heaton, Ill.: Crossway, 1990), pág 17).

George Whitefield como vimos, foi um jovem muito problemático, perdendo seu pai quando era ainda um garotinho, vivendo de maneira depravada, cometeu crimes contra a sociedade e contra Deus, porém nunca sentiu-se plenamente feliz daquela maneira, Whitefield sabia que estava agindo de forma errada, então buscava “agradar” a Deus, através do autoengano, por suas boas condutas, vida regrada e boas obras, porém nunca encontrou essa alegria, nunca se sentiu plenamente bem, perante Deus.

O que aprendemos nisto é que, seja qual for nosso passado, seja qual for nosso histórico pecaminoso, ou mesmo de boas obras, se não tivermos a Cristo, nada teremos, além da condenação iminente. Jovem! todos os prazeres são agradáveis aos olhos humanos, certas coisas que você faz em oculto, podem te proporcionar muito prazer, todavia, nunca saciarão a sede da sua alma! Esta sede, só será saciada com um real encontro com Cristo! Quando Cristo for o centro de sua vida, seus desejos serão outros, seus desejos serão transformados, você será sim, tentado, é verdade, porém terá a certeza de que por Cristo, você é capaz de resistir, capaz de vencer sua própria carne!

Filhinhos, eu lhes escrevo porque os seus pecados foram perdoados, graças ao nome de Jesus. Pais, eu lhes escrevo porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu lhes escrevo porque venceram o Maligno. Filhinhos, eu lhes escrevi porque vocês conhecem o Pai. Pais, eu lhes escrevi porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu lhes escrevi porque vocês são fortes, e em vocês a Palavra de Deus permanece e vocês venceram o Maligno. Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. (1 João 2.12-15 – NVI, grifo nosso)

Precisamos buscar uma vida de intimidade com Deus, como Whitefield buscou:

Entrego a ele minha alma e meu corpo, a ser disposto e gasto em seu labor como ele desejar. Daqui em diante eu resolvo, com a sua assistência… viver uma vida mais restrita que antes, entregando-me à oração e ao estudo das Escrituras. […] Deus me dê saúde, se for sua bendita vontade… Eu me entrego inteiramente a ele. (Trecho dos Diários de Whitefield, pág. 61)

Whitefield, sempre foi um homem que reconhecia os erros que cometia, por mais que ainda assim os cometesse por sua imaturidade espiritual (e outros fatores), porém neste interim, buscava se apresentar diante de Deus como um homem bom (alguns autores dizem que através de seus atos, buscava ser merecedor de salavação), de fato, não conseguiu até ser regenerado, mas o fato interessante e digno de ser exemplo é que, mesmo após sua regeneração, continuou com sua vida espiritual disciplinada e regrada, pois isto passou a fortalecer seu espírito.  E nós? Como tem sido nossa vida espiritual? Será que buscamos ser bons servos? Será que temos tanta disciplina espiritual? Temos orado constantemente? E como está nossa intimidade com a Palavra de Deus? Temos jejuado? Reflitamos, façamos um autoexame, para que possamos elencar pontos e traçar metas em que precisamos investir e melhorar em nossa vida espiritual.

Buscando ser um “homem bom” Whitefield foi um homem apegado as escrituras, de forma que reconhecia que sua alma precisava deste alimento, a ponto de ter dito esta frase em um dos seus primeiros dias, após seu novo nascimento: “Comecei a ler as Santas Escrituras de joelhos. […] isso realmente provou ser alimento e bebida para minha alma. Recebia diariamente luz e poder renovados do alto.” (Trecho extraído da página 40 de seu diário pessoal),

Por qual motivo ele afirmava isto? Afirmava por ter ciência de que a Palavra era o melhor caminho para se conhecer a Deus, o melhor caminho para se aprender a viver. Whitefield não foi somente exemplo de vida de leitura da Palavra, mas também de uma vida de oração, de forma que entendia que na oração, poderia ser completamente sincero com Deus, se derramar, com joelhos no chão, buscava mais e mais, misericórdia e intimidade com Deus. Whitefield, sobre oração, dizia que: “Estejam em muita oração secreta. Conversem menos com os homens, e mais com Deus.” (Trecho extraído da carta 381 de Whitefield)

Ele não dizia isto, para que nos isolássemos do mundo. Pelo contrário, ele dizia isto, para que fortalecidos em Deus, pudéssemos chegar aos homens com um padrão de vida, que refletisse a imagem de Cristo, para que não fossemos “Whitefield” falando, mas sim, um servo, que demonstra aos homens quem é o seu Senhor. Além de servir como exemplo de apego as Escrituras e vida de oração, Whitefield nos ensina a ter uma vida de humildade e santidade. Sobre si mesmo Whitefield disse: “Sou menor que os menores dos santos — sou dos principais pecadores.” (Carta 267 de Whitefield)

Como um homem como este (que as pessoas anelavam por ouvir seus ensinamentos, 20 mil o prestigiavam em cada uma de suas pregações, pessoas o seguiam até mesmo na véspera de sua morte, a ponto de que só pôde dormir quando a candeia se apagou completamente) permaneceu tão humilde? Ele sabia, que não agia por suas próprias forças, sabia que não ensinava sobre si mesmo, ensinava sobre o Senhor, e Ele o sustentou, até seu último suspiro. Whitefield disse ser menor, que o menor dos santos, um dos principais pecadores. Que Deus nos permita, ser assim, afinal, somos tão arrogantes e soberbos com tão pouco. Mal pegamos uma simples informação, já nos sentimos tão prepotentes, misericórdia Deus, faz-nos ser mais humildes. Sua vida de santidade se mostrou perante os homens, de forma que nunca foi envolvido em nenhum escândalo, nenhuma contenda o mencionava, Whitefield em todo o seu ministério buscou ter paz com todos, buscou ser um membro fiel ao corpo de Cristo, será que temos sido assim? Quantas vezes, nos envolvemos em brigas, discussões e polêmicas que não edificam em nada, pelo contrário, chegam a envergonhar o nome de Cristo e a Igreja? Busquemos santidade e humildade, não crescimento pessoal e glórias a nós mesmos. Devemos buscar união, comunhão, paz, e não discórdias, partidarismos e afastamento. Quantos jovens já vimos, que deixaram a igreja por problemas com homens? Tudo bem, compreendo que possivelmente não estavam com o foco correto do que é igreja e de que devemos servir e não ser servidos, porém, no tocante a nós, o que temos feito, para evitar que as pessoas deixem a união do corpo?

Aborrece teu antigo curso pecaminoso de vida, e serve a Deus em justiça e santidade até o fim da vida que te resta. Se lamentares e chorares por pecados passados sem abandoná-los, teu arrependimento será em vão, estarás zombando de Deus, e enganado a tua própria alma. É necessário tirar o velho homem com suas obras, antes de revestir-te do novo homem, Cristo Jesus (W hitefield, Sermon 32, em The Works of the Reverend George Whitefield, Vol VI (Londres: Edward e Charles Dilly, 1771), pág. 7.)

Precisamos demonstrar amor pelas almas perdidas, como Whitefield demonstrou:

O amor de Jesus Cristo me constrange a levantar a voz como trombeta. Meu coração agora está cheio; da abundância do amor que tenho por vossas preciosas almas imortais, minha boca fala, e agora não só poderia continuar a discorrer até à meia noite, como poderia continuar falando até não mais poder falar. (Trecho de seu 38º sermão)

Whitefield vivenciou diversas lutas e experiências negativas em sua vida, antes de ser transformado, isto o fez ter um amor incondicional pelas almas perdidas, de forma que durante toda sua vida, buscou ensinar, de forma simples, sem discursos difíceis, a verdade do evangelho, a carência do homem por Cristo, por salvação. Whitefield foi um defensor dos grupos de estudo bíblico, que eram denominados como sociedades religiosas, afinal, participou de uma, inclusive a liderou, de forma que reconhece o bem que aquilo fez a sua vida espiritual. Whitefield, sempre que possível, estava contando a alguém a boa nova do evangelho, não se continha em ter a alegria para si somente, precisava dizer as pessoas o que Deus tinha feito em sua vida. Mesmo quando portas de igrejas, que outrora o receberam, apresentavam-se fechadas para ele, Whitefield não se calou, iniciou seu ministério ao ar livre, pregou em cemitérios, em navios, em comunidades carentes, em locais jogados a prostitutas e operários, mas pregou! Whitefield mostrou um amor realmente, intenso, pelas almas carentes, de forma que parte de suas ofertas coletadas após os cultos, serviam para sustentar o colégio para crianças pobres, criado por ele, assim como serviam como forma de doação para seus seguidores mais necessitados.

Whitefield, foi um jovem como nós, teve suas ocupações, estudava, trabalhava e mesmo assim realizou tudo isto, a pergunta que fica é, o que estamos esperando? Quantas desculpas mais iremos buscar? Por que “seguramos” a boa nova conosco? Realmente amamos as almas perdidas? Ou nos contentamos em ter somente a nossa alma salva? Que Deus nos ensine a amar as pessoas de forma que sejamos impulsionados a falar deste tão grandioso amor, de espalhar o evangelho por onde quer que formos.

Precisamos ter paixão pelo nosso chamado, como Whitefield teve:

Fui para Oxford sem um amigo sequer; não tinha um servo, não tinha uma só pessoa para me apresentar; mas Deus, por seu Santo Espírito, se agradou de me levantar para pregar, por amor de seu grande nome: mediante seu Espírito divino continuo até o dia de hoje e sinto que meus afetos estão, como sempre, dirigidos à obra e ao povo do Deus vivo. (Trecho de “Sermões de Whitefield”, pág. 335)

George Whitefield tinha convicção absoluta de que fora separado por Deus, para realizar a missão a qual foi chamado, de forma que buscou, a todo custo, propagar o evangelho da salvação. Foi muito criticado por sua aparência, afinal, era um homem gordo, de olhos vesgos e pela forma “viva” que pregava (diferindo dos pregadores do seu tempo). Ele simplesmente pregava! Nada o impedia de pregar!

Whitefield viveu buscando se apresentar diante de Deus como um bom homem, então, quando passou pela conversão, não teve outra escolha, senão obedecer, seguiu seu chamado, pregou a todos quanto pode, independentemente do local, independente do que falassem dele, independentemente de sua saúde física. Whitefield pregava movimentando-se durante suas pregações, e falava até um pouco apressado, de forma que dava vida a sua pregação, utilizando seus talentos da infância, como relata Martin Lloyd-Jones, em seus últimos dias já não havia tanta saúde para pregar de maneira tão “animada”, mas como já mencionamos, nem mesmo isso o fez parar de pregar. Que exemplo de paixão pelo chamado.

Jovens, e nós? Como reagimos diante de nosso chamado? Você sabe em que pode ser útil para o Reino de forma especial? Espero que saiba, que você tem obrigatoriamente o chamado para anunciar o evangelho, por mais que não saiba em que área especificamente. Seja qual for seu talento ministerial, se ensinando a crianças, se conduzindo a igreja em adoração através de louvores, se pastoreando uma igreja, se desenvolvendo um grupo de estudos bíblicos, faça para que o Reino cresça, faça para a glória de Deus somente, faça com toda a sua paixão, faça com um amor incondicional!

Quantas vezes começamos um trabalho, mas na primeira dificuldade, na primeira “cara feia”, na primeira luta, na primeira decepção desistimos? Tenho certeza de que na vida de Whitefield não faltaram lutas, porém em todo e qualquer relato que lemos sobre a vida deste homem, vemos que não desistiu, levou seu chamado a sério. Que tenhamos a convicção de que somos servos, precisamos ser servos que se apresentam como bons servos, obreiros aprovados, perante o nosso Senhor. Como Paulo escreve a Timóteo: Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade. ( 2 Timóteo 2.15 – NVI)

CONCLUSÃO:

Que através do exemplo deste homem tenhamos motivação para que possamos dizer : Sede meus seguidores, como também eu o sou de Cristo. (1 Coríntios 11.1 – Bíblia BKJ 1611 FIEL). Que através destas lições que podemos extrair de sua vida, sejamos encorajados a dizer o que Paulo disse, não para nossa glória, mas para que pessoas sejam inspiradas a viver como Cristo ensinou, buscando santificação, buscando metanoia.

Quero concluir este material, em poucas palavras, dizendo que não adianta ler sobre homens como George e permanecer igual, quero reforçar, não adianta buscarmos entender sobre quem foi Calvino, Edwards, Whitefield e tantos outros, se não aplicarmos isto em nossas vidas, que tomemos este exemplo e ponhamos em prática, não deixando que nossos desejos carnais e nossas concupiscências, sejamos então sal e luz, jovens inconformados, jovens que refletem a glória do nosso Senhor.

É este o nosso clamor, que Deus levante em nossa geração Whitefields, homens que honrem a Ele com suas vidas, que não vivam em marés de fé, que não vivam esperando reconhecimento, que vivam uma vida de oração, que vivam de maneira piedosa, buscando conhecer a Palavra, vivendo humildemente, pregando a todos sem distinção, pregando se for favorável ou não. É isto que desejamos, ter uma geração mudada, uma geração transformada, uma geração que mostre ao mundo o evangelho da salvação que recebemos de maneira graciosa do nosso tão bondoso Deus. Que o Senhor levante jovens destemidos, firmados a verdade das Escrituras, homens que vão além das quatro paredes, sempre firmes e constantes, assim como foi George Whitefield. Que Deus tenha misericórdia e nos livre da frieza espiritual que tanto assola a juventude. Encerro este breve material com uma frase de Charles Haddon Spurgeon, que sintetiza nosso clamor, nossa necessidade, nossa emergência em uma geração avivada, inspirada em grande homens como Whitefield:

Carecemos novamente de Luteros, Calvinos, Bunyans, Whitefields – homens dignos de marcar as épocas, cujos nomes respiram pavor aos ouvidos de nosso inimigo. Temos muita necessidade de tais. De onde eles nos virão? Eles são dons de Jesus Cristo à igreja, e virão em tempo oportuno. Ele tem poder de nos devolver uma era de ouro de pregadores, e quando a boa e antiga verdade for mais uma vez pregada por homens cujos lábios são tocados como que por uma brasa viva tirada do altar, este será o instrumento na mão do Espírito para promover um reavivamento grande e completo de fé na terra (C H Spurgeon Autobiography, Vol 1: The Early Years, 1834–1859, compiled by Susannah Spurgeon and Joseph Harrald (Carlisle, Pa.: Banner of Truth, 1897– 1900, 1962)

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