Porque você torce pelos criminosos de La Casa de Papel?

**Contém Spoilers**

Claramente a série é feita para criar empatia dos telespectadores com os assaltantes. Como cristãos devemos avaliar bem a cosmovisão impressa naquilo que assistimos e consumimos. A tradição cristã, especialmente a neo-reformada, tem por tese que todas as cosmovisões também se expressam em narrativas semelhantes a tríade cristã, a saber: Criação/Queda/Redenção (quem sabe posso depois mostrar como essa tríade também se apresenta em La Casa de Papel).

Algumas evidências de que a série pode deixar a nossa percepção de certo e errado um tanto turva:

– Os assaltantes são mostrados como vítimas:
Os assaltantes são apresentados como aqueles que fizeram besteira no passado, mas que agora tem a chance de acertar (Tokio), como doentes em fase terminal sem perspectivas de vida e que encontram no assalto a sua alegria (Berlin). Como alguém que se envolve em um romance e que é capaz de demonstrar amor e carinho (Professor), como uma mãe que sonha em estar junto de seu filho, mas não pode (Nairóbi) e como aquele típico bobão, inofensivo, até um tanto burro que chega a dar dó (Denver).

Por outro lado a série também apresenta reféns, que deveriam ser as verdadeiras vítimas, como verdadeiros babacas, um exemplo claro disso é o “Arturito”. Fale a verdade, você não torceu pra esse cara morrer logo? Pois é, mas ele é um refém. Isto também pode ter acontecido com Alison Parker, que em algumas situações a série parece insinuar ser um grave problema ela ser filha de um embaixador, como se isso fosse errado por si só.

O roteiro da série, então, é construído para que você veja reféns e policiais como babacas e vilões (Vide a conversa do Professor com a inspetora enquanto ela está amarrada no hangar), enquanto que os assaltantes tem uma certa pureza dentro de si, exemplo: Oslo – o cara quietão que não faz mal a ninguém, Helsink – o cara gente boa que até ajuda os reféns, Rio – o garotão puro, que é criminoso, mas não violento, sem falar nos outros já citados.

O intuito é fazer-nos torcer para que o assalto dê certo. O conceito de sucesso para La Casa de Papel é que a fuga dê certo para esses Hobin Hoods modernos que não estão roubando da população, mas do Estado, sem fazer mal a ninguém.

Cuidado! Não inverta seus valores. Não troque o errado pelo certo e o certo pelo errado. Algumas observações que podem te ajudar na avaliação de filmes e séries que visam quebrar nossa resistência diante de nossos princípios cristãos:

– Saiba avaliar a mensagem por trás do que a série ou filme trás. Observe não apenas aquilo que é superficial, mas a grande ideia do que você está assistindo? Se você pudesse resumir a mensagem do que assiste em apenas uma frase, qual mensagem seria?
– Observe o que os roteiristas tem por objetivo. Se colocam criminosos como mocinhos, alguma coisa está errada. Esta observação está além das atitudes dos personagens, é uma observação da estrutura do roteiro do filme ou série.
– Qual o conceito de “sucesso” (redenção) daquilo que você está assistindo? Este conceito é bíblico? Para La Casa de Papel sucesso, como disse, é o assalto dar certo? Pode isso, Arnaldo?

No demais, gostei bastante da série como produção, ritmo, enredo, as pontas e detalhes bem amarrados, etc. Mas o fato de ter gostado dela não me exime de avaliar com as lentes do Evangelho a mensagem que ela me traz. Pense nisso!

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