A sua avó e o cristianismo.

Quem nunca ouviu a sua avó dizer algo semelhante a isso, que atire a primeira pedra: “menino (a), não faça isso senão, você não irá para o céu”. Hoje veremos o quão certa ou errada estava a sua avó, instruídos exclusivamente pelas escrituras.

 

Ação e reação

O primeiro equivoco em uma fala como essa é, a inversão da relação entre, salvação e santificação. Para entender melhor tal relação recorreremos ao texto de Romanos 6. 18 – 23.

“Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. Falo isso em termos humanos, por causa das suas limitações humanas. Assim como vocês ofereceram os membros do seu corpo em escravidão à impureza  e à maldade, ofereceram-nos agora em escravidão a justiça que leva à santidade. Quando vocês eram escravos do pecado, estavam livres da justiça. Que fruto colheram então das coisas das quais agora vocês se envergonham?  O fim delas é a morte! Mas agora vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna. Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus , nosso senhor.”

Essa extensa citação é de suma importância para a nossa reflexão, pois nela vemos a linha temporal do processo de salvação, que contradiz a afirmação da sua avó. Nós somos salvos pela graça de Deus, (o seu “dom gratuito” como diz o verso 23) não por nosso mérito.

Eu não vivo uma vida de santificação para ser salvo, mas eu a vivo porque fui salvo, pois antes eu era escravo do pecado, agora que fui liberto dele, pela graça de Deus e não por minhas ações, posso viver de uma maneira a refletir a ação de Deus na minha vida.

Crer no contrario soa como barganhar com Deus, como se dissesse: “Deus, vivi de acordo com teus mandamentos, agora me dê a salvação”. Certa vez um jovem disse algo semelhante a Jesus, que provou o quão absurda é uma afirmação dessa estirpe (Mateus 19. 16). A graça é de graça, você não a compra com ações, do contrario não é graça. Ela é dom de Deus, um presente imerecido e viver em santificação é apenas uma resposta a esse presente imerecido, não é o preço por ele, o preço por ele já foi pago na cruz.

 

Obras e fé

Agora trataremos rapidamente sobre a relação entre, fé e obras, pois “já que a salvação independe das minhas ações, eu posso cair na gandaia”. Agora eu dou razão para a sua avó… Pelo menos em partes.

As nossas obras são aspectos visíveis de uma fé invisível. Como vimos anteriormente, eu fui salvo, logo estou livre do pecado, (o que não significa que não voltarei a pecar) então essa afirmação não faz sentido para um cristão. Um cristão jamais se voltaria para cruz para tomar seus pecados de volta para si, ele só se voltaria para a cruz em espirito de gratidão e adoração.

A carta de Tiago nos da um tapa na cara no que tange fé e obras. Tiago 2. 14-26 é o texto mais explicito possível em relação a isso, mas é necessário uma leitura atenta e cuidadosa do trecho. Pois uma leitura superficial pode levar a uma conclusão equivocada, Tiago não diz que as obras são a chave para a salvação, como muitos dos que leem de maneira superficial entendem. Tiago diz que, é possível identificar a fé verdadeira pelas obras, portanto se uma pessoa não possui obras do que adianta a sua fé? Ou como ele diz no verso 19: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem – e tremem!”.

Resumindo, a sua avó acerta na medida que, as suas obras evidenciam o seu real estado de espirito. A fé salva, mas as obras evidenciam uma alma salva, de modo que, fé e obras não andam separadas.

 

Conclusão

É parece que hoje não é o seu dia vovó… As suas obras não podem comprar a salvação, pois ela é dom gratuito de Deus, mas as suas obras evidenciam uma pessoa que já passou pelo processo de salvação. Portanto, atente-se a sua vida, ela reflete uma alma salva, ou ela apenas ocupa um lugar no banco da igreja aos domingos?

Graça e paz aos irmãos.

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