Review Perelandra – C S Lewis

“O inimigo estava recorrendo a métodos de tortura mental. Pareceu a Ransom que, se não ocorresse um milagre, a resistência da Dama estava fadada ao desgaste. Por que não acontecia nenhum milagre? Ou melhor, por que nenhum milagre do lado certo? Pois a presença do Inimigo era em si uma espécie de Milagre. O inferno teria uma prerrogativa de realizar prodígios? Por que os Céus não realizavam nenhum? Não era a primeira vez em que ele se flagrava questionando a Justiça Divina. Não conseguia entender por que Maleldil deveria permanecer ausente quando o Inimigo estava ali em pessoa.”

Enquanto Londres ruía sob as investidas da poderosa Luftwaffe (força aérea) nazista e a Europa sangrava no maior conflito já visto pela humanidade, em Perelandra (ou como nós conhecemos: Vênus) a Batalha era espiritual e, portanto, mais profunda e impiedosa. Perelandra é o segundo livro da Trilogia de Ficção científica escrita por ninguém menos que o brilhante C S Lewis. Nessa obra, Ransom – personagem principal da série – embarca a chamado do próprio Meleldil – facilmente identificável como Deus – para Vênus em uma missão que, a princípio, ele desconhece. Ao chegar ao planeta o personagem encontra uma Mulher Verde que buscava o seu companheiro, o Rei. A dama e o Rei eram os únicos seres dotados de inteligência naquele lugar despovoado e inocente. Após o seu encontro com a Mulher, outra espaçonave aterrissa em Perelandra, era Weston, o cientista que sequestra Ransom no primeiro livro. Dessa vez Weston não parecia tão humano como no primeiro livro, agora ele possuía um ar diabólico, como que possuído. Assim como na terra, a maldade em pessoa havia “caído” naquele planeta sem pecado. A partir daí Ransom logo descobre o seu propósito naquele mundo. Uma nova Eva, um novo Adão, enfim, um novo Eden se inicia. Weston, como a serpente, tenta convencer a Mulher a desobedecer Meleldil. A missão de Ransom era não deixar que ela caísse e todas as mazelas do pecado original se repetissem em Vênus, mazelas essas tão evidentes e marcantes na 2° Guerra Mundial. Durante todo o livro o embate entre o Bem e o Mal é bem vivo, e Lewis, como sempre, consegue transmitir os valores cristãos de forma fascinante e instigante.  O livro é maravilhoso, cheio de aventuras, reviravoltas emocionantes, filosofia e teologia. Recomendo a todos!

Alguns trechos:

“Somente Maleldil (Deus) vê qualquer criatura como ela realmente é.”

“Será que Maleldil é um animal cuja caminhada podemos impedir? Ou uma folha para que possamos torcer Sua forma? Não importa o que você faça, Ele extrairá algum bem dali. Mas não o bem que Ele tinha preparado para você se você tivesse obedecido a Ele.”

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