Removendo a pele

Fala, moçada!
A vida é um eterno aprendizado, estamos sempre descobrindo coisas novas e o que era verdade alguns anos atrás, pode não ser verdade hoje, e o que é verdade hoje, pode não ser daqui a alguns anos. Somos seres em constante transformação, quer queiramos ou não, somos influenciados pela mídia, pela família, sociedade, entre outros fatores.

Eu falo isso porque mudei conceitos na minha vida durante o tempo e sei que minha vida ainda terá vários conceitos mudados à medida que eu vá adquirindo mais maturidade. Quando eu era adolescente, eu era fascinado por Che Guevara, Karl Marx, entre outros personagens da esquerda. Naquele momento, aquelas “verdades” eram tidas por absolutas e não havia quem me convencesse do contrário. Acredito que todos nós passamos por momentos de ignorância.
Muitas vezes estamos na contramão da verdade, mas temos a presunção de achar que todos estão errados e somente nós estamos certos para não mudarmos nossa opinião ou somente
para não passarmos a imagem de ” derrotados”.

Existe uma série de estudos do pastor Jonas Madureira, cujo título é ” inteligência humilhada”, que fala da nossa capacidade limitada de conhecer a Deus e o pior, a nossa capacidade limitada de conhecer a nós mesmos! Nesse meu exemplo, eu não conhecia a mim mesmo, pois eu não poderia professar uma fé cristã e ter uma ideologia socialista, é o mesmo que colocar um urso polar para viver na floresta amazônica, uma coisa totalmente sem sentido!
Em um dos estudos, o pastor Jonas fala sobre a passagem de 1° coríntios 13:12, onde fala :

“Porque agora, vemos como em espelho, obscuramente; então veremos face a face. Agora, conheço em parte; então conhecerei como também sou conhecido”.

O apóstolo Paulo fala no texto que apesar de ter intimidade com Deus, de ser um estudioso da palavra, ele apenas conhece a Deus com uma visão obscurecida e que ele só verá a entender o ser de
Deus realmente na eternidade.

No livro ” A viagem ao peregrino da alvorada”, de C.S. Lewis, Eustáquio é um menino mimado e desobediente. Ele entrou em uma caverna e viu tesouros, e tomado por pensamentos gananciosos, típicos de um dragão, acabara se transformando em um.
Muitas vezes, estamos cegos pela nossa própria cobiça e não conseguimos ver o quão perversa são as nossas atitudes. Somente com a intervenção divina, é que podemos ter dimensão da nossa natureza pecaminosa, através do arrependimento.
Eustáquio precisou passar por essa situação para entender a real natureza do seu coração. Para ilustrar o que estou dizendo, vou deixar um trecho do livro citado.

Olhei e vi a ultima coisa que esperava ver: um enorme leão avançando para mim. Chegou pertinho de mim e me olhou nos olhos. Fechei os meus, mas não adiantou nada, porque ele me disse que o seguisse…
– Falava? Disse Edmundo.
– Agora que você está me perguntando, não sei mais. Mas, de qualquer maneira, dizia coisas. E eu sabia que tinha de fazer o que me dizia, porque me levantei e o segui.Levou- me por um caminho muito comprido, para o interior das montanhas. Finalmente chegamos ao alto de uma montanha, no cimo da qual havia um jardim. No meio do jardim havia uma nascente de água. Nunca tinha visto água tão clara e achei que se me
banhasse ali talvez passasse a dor na pata. Mas o leão disse para eu tirar a roupa primeiro.

Para adiantar a história, a roupa de Eustáquio eram as suas escamas de dragão, e a partir do momento que a escama era removida da pele, ele sentia uma sensação maravilhosa. Mas o dragão tem várias camadas de pele, e quando chegou na terceira pele, ele não conseguia mais removê-la.

Então o leão disse (mas não sei se falou): ” Eu tiro a sua pele”. Tinha muito medo daquelas garras, mas, ao mesmo tempo, estava louco para livrar-me daquilo.

Por isso me deitei de costas e deixei que ele tirasse a minha pele. a primeira unhada foi tão funda que julguei ter me atingido o coração. E quando começou a tirar-me a pele senti a pior dor da minha vida. A única coisa que me fazia aguentar era o prazer de sentir que me tirava a pele. É como quem tira um espinho de um lugar dolorido. Dói pra valer, mas é bom ver o espinho sair”.

Todos nós temos ” escamas” que precisam ser arrancadas para que a nossa vida espiritual possa crescer, mas temos que saber que muitas vezes é um processo doloroso, pois estamos renunciando a nossa própria cobiça, mas é um processo que no final é muito prazeroso.
O apóstolo Paulo, antes do Espírito Santo fazer a obra na vida dele, era um conhecedor dos costumes judaicos, praticante zeloso da lei, mas o conhecimento de Deus é quando Ele se deixa revelar, e quando Ele se revela, nos damos conta da nossa ” inteligência humilhada” e nos prostramos aos pés de Deus, clamando por misericórdia.

” E Ananias foi, e entrou na casa,e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo. E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista;e levantando-se, foi batizado”.
Atos 9:17,18

Até a próxima.

2 comentários Adicione o seu
  1. Bom dia na paz de Jesus Cristo: foi para isso que Jesus se manifestou,para destruir às más obras do nosso coração (pensamento), não é o que entra,mas sim o que sai; as más intenções!!! Deus vos abençoe!

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