Jesus e o vale tudo do mercado gospel

Uma grande multidão ia acompanhando Jesus; este, voltando-se para ela, disse:
“Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo.
E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo.
“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?
Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele,
dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.
“Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil?
Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz.
Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.
Lucas 14:25-33

Num filme de comédia chamado Vencendo as Tentações, iria haver um concurso de corais de igrejas evangélicas. Uma dessas igrejas estava com um coral de cinco membros e todos eram muito desafinados. Para ganhar o concurso o pastor da igreja aceitou que os disciplinados voltassem a cantar, mesmo sem arrependimento por parte desses. Depois ele aceitou os que nem eram membros da igreja, em seguida, aceitou qualquer um da cidade que soubesse cantar, até bandidos (trazidos direto da penitenciária) e ateus foram aceitos e, o pior, todos foram batizados. O que importava era vencer o concurso. É a era da concorrência entre igrejas que se submeteram ao pragmatismo. É o vale tudo do mercado gospel.

SENDO DISCÍPULO DE UM MESTRE DIFERENTE (Neste texto o que importa é a visão do mestre e não a visão dos que queriam ser discípulos).

    1. O NUMERO DE DISCÍPULOS NÃO É O MAIS IMPORTANTE

 As multidões não impressionavam Jesus. Ele na verdade as afronta, em várias ocasiões. Jesus nunca se deixou levar pelos numerosos seguidores. Para outros “mestres espirituais”, a quantidade de seguidores os deixaria orgulhosos, porém, Jesus jamais se comportou assim. Para ele o que importava era a vontade de seu Pai ser cumprida em seu ministério e não a quantidade de pessoas que o seguia. Artur W. Pink, num artigo em que intitula Cristo é o seu Senhor diz:

Existem muitas pessoas que gostariam de ser salvas do inferno, mas que não querem ser salvas de seus próprios caminhos […] Deus, porém, não as salvará de conformidade com as condições que elas mesmas estabelecem. Para sermos salvos, precisamos nos submeter as condições de Deus.

Daí a explicação de que uma multidão o seguia, porém, poucos eram, de fato, discípulos. O número real de discípulos verdadeiros é sempre muito menos que o de simples seguidores. O número de discípulos diminui na medida em que aparecem os requisitos exigidos por Deus:

7 Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos; volte-se ao Senhor, que se compadecerá dele; e para o nosso Deus, porque é generoso em perdoar. 8 Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor (Is 55.7, 8).

Na mente de Jesus não era o número de discípulos que importava, porque os pensamentos dele não eram em nada semelhantes aos dos outros líderes espirituais pagãos.

  1. O PREÇO DE SER DISCÍPULO É ALTO DEMAIS

Nesse texto Jesus confrontou as multidões que o seguiam com algo duríssimo: A família. Ele não pediu que seus seguidores fossem meditar numa montanha, nem pediu para que vendessem suas propriedades, ou que usassem determinadas roupas. Muitos mestres espirituais fizeram e fazem essas reivindicações. Seus discípulos, com certeza, aceitariam quaisquer pedidos deste tipo, mas com Jesus tudo era mais profundo. Todas as coisas e comportamentos tinham a ver com o amor a Deus antes de tudo. Jesus nunca aceitou menos que tudo.

Jesus reivindica ser o centro da vida de seus seguidores. Ele diz que se alguém quer seguí-lo deve amar mais a ele que a sua própria família de sangue. Quem é esse que se acha no direito de pedir todo o amor do ser humano? Quem é esse que quer um amor maior que aquele que devemos aos nossos pais? Quem é esse que pode pedir para que se ame mais a ele que aos próprios filhos? E, por fim, quem é esse que diz que até minha vida deve ser gasta por amor a ele?

  1. DEVE HAVER UMA DEDICAÇÃO DO DISCÍPULO A PONTO DE MORRER

 Nesta ocasião Ele estava diante de dezenas de pessoas que jamais pensariam em ouvir um pedido desses. Na verdade, no final das contas, o verdadeiro discípulo não deve apenas amar a Jesus acima de tudo, é ainda mais dura a mensagem de Cristo. Ele fala de carregar a cruz. A cruz é um instrumento de morte e não representa um simples problema na vida do crente. Carregar a cruz, beber o cálice e ser discípulo de Jesus é algo que vem tudo junto. Aquele que quer me seguir, diz Jesus, “além de me conceder todo amor de seu coração, também deve estar pronto para morrer por mim!”.

Novamente deve-se comparar Jesus a um desses “mestres espirituais” e observar a distância astronômica dos valores de Jesus para esses outros. Buda, Sócrates, Confúcio, Maomé e outros, no máximo pediram que seus seguidores morressem por seus princípios e não por eles mesmos. Jesus pede, na verdade Ele tem o direito de pedir isso, pois Ele é Deus e não um ser humano com ideais filosóficos revolucionários. Só Deus tem autoridade para pedir a vida de um ser humano. É um direito que o Criador tem sobre a criatura. Jesus tinha esta consciência. Indiretamente Jesus disse: “Não estou pedindo uma parte de suas vidas ou um pouco de seu tempo, estou reivindicando suas vidas, suas mentes, seus corpos. Quem quer ser meu discípulo tem de ser todo meu”.

  1. A IRRESPONSABILIDADE NÃO TEM LUGAR PARA O DISCÍPULO

Jesus pede que eles parem para pensar se estão dispostos a pagar um preço tão alto (v.28). Por meio de duas parábolas simples ele faz seus seguidores pensarem em alguns requisitos. Em primeiro lugar, se a pessoa quer mesmo começar a obra (torre). Em segundo lugar, se há condições financeiras para tal (as condições financeiras podem ser vistas como disposição); por um questionamento se compreende melhor o que o Senhor queria dizer: “Até onde você estará disposto a ir?”. O mesmo acontece com a segunda parábola. Em primeiro lugar ver se se quer entrar na guerra. Se a decisão for sim, vem, em segundo lugar, os cálculos sobre a quantidade de soldados e a estratégia que usará. Se o rei perceber que não poderá continuar é melhor nem começar (v.32).

No v.33 o Senhor diz como conseguir terminar a torre ou como ganhar a guerra: renunciar tudo que se tem. Renunciar “não é deixar de ter”, mas é estar disposto a abandonar qualquer coisa que impeça o relacionamento com o Senhor. Observa-se o “ não pode ser meu discípulo”. Jesus não diz que a pessoa não quer, alguns até querem, porém não há condições em alguns, pois nem todos negam tudo por amor a Cristo. Ele não aceita menos que tudo.

APLICAÇÃO

Qual mestre espiritual conhecido na história do mundo não levou em consideração o número dos discípulos? Só Jesus Cristo, o Senhor. Não era o número de pessoas que o fazia realizar suas obras, mas seu amor ao Pai. Qual o mestre que prometia perseguições e morte aos seus discípulos? O evangelho não é humanamente convincente. Só o Espírito Santo pode nos fazer compreender isso!

Onde ouvimos falar de alguém que queria ser amado mais que as mães e os pais, e os irmãos e as famílias? Só Jesus, que é Deus, pode cobrar isso de seus discípulos. Você está disposto a ser discípulo dele ainda? Você estaria pronto para morrer ou para ser preso por amor a Jesus Cristo?

Irmãos existem coisas mais simples que isso, que nós estamos deixando de fazer por amor a ele. Quanto mais morrer! Sempre que odiamos, sempre que dividimos as pessoas umas das outras, sempre que levantamos falso testemunho, sempre que aumentamos alguma história, só para ver o “circo pegar fogo”, estamos deixando de ser discípulo dele.

Ele ainda dá uma dica sobre se vamos ou não conseguir segui-lo: sente-se e calcule. Não brinque de seguir a Jesus. Vá até ele com humildade, mas com seriedade, com sinceridade, com o coração exposto, com suas fraquezas expostas. Mesmo que você passe a vida inteira dentro de uma igreja fingindo ser discípulo, naquele dia, ele olhará para muitos e dirá: Apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, pois eu nunca vos conheci! (Mt 7.21-23). Que nenhum de nós esteja entre esses.

CONCLUSÃO 

Em contraste com aqueles que quiseram, mas não deixaram tudo (Lc 9.57-62), temos os apóstolos que ao ouvirem o chamado largaram tudo, seu meio de vida, seus pais e a si mesmos (Mc 10.29, 30). Posteriormente, o apóstolo Paulo diria que tudo o que foi era nada mais que lixo, comparado ao relacionamento que ele tinha com Cristo (Fl 3.7, 8). Porém, isso não ficou apenas no passado, existem pessoas que dão a vida por amor a Jesus e ao Evangelho:

“No dia 07 de agosto de 2010, um grupo de dez profissionais da saúde – entre eles oito estrangeiros – foi morto no noroeste do Afeganistão por atiradores, informou a polícia neste sábado (7). Os assassinatos ocorreram quando eles voltavam de uma incursão para oferecer ajuda oftalmológica para populações carentes. O Talibã assumiu a responsabilidade pelas mortes e acusou os médicos de pregar o cristianismo”[1].

[1] http.www.g1.globo.com/mundo/noticia/2010/08/.

2 comentários Adicione o seu

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *