Jesus: a realidade final de Deus para o mundo (parte 2)

Hebreus 1.1-4

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas,
mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo.
O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas,
tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles”.

O que fazer diante do cenário evangélico brasileiro da atualidade? Multidões ensandecidas ao redor de lobos devoradores que ensinam um caminho de espiritualidade alternativo a Cristo, pretextando poder através de símbolos mágicos minando no coração e na mente do povo, a máxima bíblica da Supremacia e da Suficiência de Cristo. É uma rosa ungida aqui, uma água “benzida” do rio Jordão ali, uma fogueira santa de Israel lá e quantas “indulgências” esses criativos palhaços animadores de auditório podem imaginar. Haja criatividade.

O grande resultado de todo esse “cristianismo teatral” é a infantilização, abobalhamento e até ensandecimento do evangelicalismo contemporâneo. O Autor aos Hebreus escreveu por volta de 80 d.C. quando a igreja estava passando por severa perseguição. Um pensamento natural surge à tona no meio dessa igreja: “quando eu era da religião judaica eu não sofria perseguição, logo, vou manter minha fé interior em Jesus e participar dos rituais judaicos e assim, me livrarei das aflições”. Apesar do contexto de perseguição e morte iminente, o autor mesmo assim, exorta essa comunidade a perceber a loucura que é trocar Jesus, por qualquer coisa nesse mundo. Quais argumentos o autor sagrado continua apresentando para convencê-los a reconhecer a riqueza que já tinham em Jesus e não trocá-lo por coisa alguma?

Jesus: a realidade final de Deus no mundo (parte 2)

  1. Jesus é, em carne, tudo que Deus é.

Jesus é o resplendor da glória e expressão exata. Sem tirar nem pôr[1]. Ele é exatamente igual a Deus. E como nada é maior que Deus, não precisamos pensar nem esperar uma revelação maior que Jesus. Esse é um grande mistério, porque quando se fez carne ele não deixou de ser Deus. E porque isso é tão maravilhoso? Porque Jesus em carne, não deixou de ser Deus. Salomão dando testemunho disso diz que nem o Templo que havia construído, nem o céu dos céus podem conter Deus, como imaginar que um homem, de carne e osso pode ser Deus? Esse é o grande mistério da piedade! Em Filipenses e em Colossenses Paulo afirma que ele é Deus e que nele habita corporalmente toda plenitude da divindade.

Como toda “plenitude da divindade” coube num corpo humano? Leia “resplendor”, no v.3, como “reflexo”. Jesus é o reflexo da glória. Significa que quem via Jesus estava vendo toda a glória de Deus. E isso é estranho porque “Jesus não brilhava no escuro”; era exatamente igual a todos os homens. Vamos nos lembrar de quando Moisés viu, de relance, a glória de Deus. Moisés teve de usar uma espécie de véu por causa do brilho da glória de Deus que resplandecia em seu rosto. Imaginem toda aquela glória com dois pés e duas mãos.

Ele é a realidade final. Deus é invisível, mas revelou-se visivelmente no Filho. Não foi um pouco da glória de Deus que se revelou em Jesus, mas toda a glória. Não foi um faixo de glória que veio sobre Jesus e o transformou numa espécie de super-man (como afirmam seitas diabólicas). A Bíblia diz que ele é a expressão total da glória de Deus. Ele não recebeu um “poderzinho mágico” para realizar milagres. Tudo que Deus é Jesus é. Tudo que não podemos ver em Deus o Filho nos revelou. Lembremo-nos do apóstolo que pede para ver o Pai e Jesus responde: “Quem me vê a mim, vê o Pai”.

Em 2Co 4.6 Paulo escreve o seguinte: “Porque Deus que disse: Das trevas resplandecerá a luz. Ele mesmo resplandeceu em nosso coração para a iluminação e o conhecimento da glória de Deus na face de Cristo”. Ou seja, quer ver Deus? Quer ver a glória de Deus? Ela estará estampada na face de Cristo. Nenhum pequeno lampejo da glória de Deus, mas toda a glória. Este autor aos Hebreus estava convicto da veracidade dos ensinos apostólicos. Jesus é, em carne, tudo que Deus é. Digo isso, porque sem carne Jesus já estava (era seu estado natural), porque ele é eterno com Deus. A questão está no “em carne”. Peço que imaginem os oceanos cabendo num balde. É impossível de se imaginar isso? O que aconteceu na encarnação do Verbo supera em muito essa analogia.

  1. Jesus é o sustentador do Cosmos

Vejamos o v.3, quando se diz que sustenta todas as coisas. Quem sustenta o mundo? Jesus. Não com esforço, mas por meio de sua Palavra. Se formos a Mitologia Grega, veremos um deus grego chamado Atlas, este recebeu um castigo dos deuses mais poderosos. Seu castigo era o de carregar eternamente, o mundo sobre as costas, na realidade ele é representado como um homem carregando apenas o planeta terra. As Escrituras dizem que Jesus sustenta o mundo pela sua palavra, sem braços ou pernas e, não somente o planeta terra, mas todo o cosmos. Ele não faz esforço algum para sustentar todo o universo ou para nos conhecer em todos os instantes e saber nossas necessidades. Outra característica de Deus que o Filho possui é o de sustentar o universo.

Todo judeu sabia que o Deus dos patriarcas era o sustentador, mas os cristãos sabiam agora que o Filho é também igual ao Pai neste quesito. E, por isso, esta é uma das cartas mais cristológicas das Escrituras. Ela exalta o Filho como nenhum outro escrito. Raciocinemos sobre o descanso de Deus, quando se diz que Deus descansou de suas obras, mas as Escrituras não ensinam ociosidade em Deus. Deus parou de criar somente, mas agora ele se ocupa de outro serviço, o de sustentar. Sem a sustentação de Deus o cosmos entraria em colapso e acabaria. Tanto o mundo físico como o espiritual é sustentado pela palavra do seu poder.

Lembrando mais uma vez de Atlas, a palavra usada para Jesus de “sustentar” significa também “carregar”, mas não nos moldes do pensamento grego mitológico, e sim no sentido de direcionar ou conduzir. Jesus não está parado olhando o que acontece. Ele é o sustentador que conduz a história. As coisas estão indo para o lado que ele está conduzindo. Isso é óbvio até pela existência do livro de Apocalipse. Se Jesus não soubesse para onde o mundo e a história está indo ela não poderia revelar nada sobre o fim de tudo. Ele revela porque ele mesmo está conduzindo. Ele é, em carne, tudo que Deus é e o sustentador do cosmos.

  1. Jesus é o Autor e Consumador da salvação

Jesus tinha uma obra a fazer e ele sempre soube disso. Em João 17.4 Jesus diz: “Pai, eu terminei a obra que me confiastes para fazer!”. Quando Deus deu a seu Filho esta obra? Antes da criação do mundo! Quando ele veio a este mundo, veio com uma missão pré-estabelecida. Eles haviam combinado a missão antes da fundação do mundo. É uma das provas da divindade de Cristo.

Continuemos olhando João 17.5, 6 e percebamos que Jesus era majestoso e glorioso com o Pai antes de haver mundo. Ele é a realidade final de Deus porque Ele é o Autor da Salvação. Ele não apenas sustenta e governa; foi ele quem também fez a purificação dos pecados e nós não tivemos participação alguma. Ele estava sozinho na cruz, nós não o auxiliamos. Ele é autor e consumador do seu próprio plano. Sozinho limpou a sujeira do pecado e reconciliou o homem com Deus. Até porque seria inútil a ajuda de qualquer pessoa. Imagine alguém carregando uma cruz, ao lado de Jesus, dizendo: “Vamos Jesus, eu vou dividir o peso desta responsabilidade com o Senhor. Vamos nós dois redimir a humanidade!”.

Como um pecador pode redimir outro? Como sangue sujo purifica sujeira. Como carregar os pecados de alguém se você precisa que alguém carregue os seus. Ou era ele sozinho fazendo a obra de purificação ou ninguém mais. Ou era Deus colocando os pecados nas costas e carregando, ou não haveria possibilidade de salvação. Por isso que certo autor disse: “Se você chegar ao trono de Deus sem Jesus ao seu lado, você só poderá esperar desgraça”. O que irá cobrir você? Qual será seu escudo? O que o cobrirá se não for o sangue de Jesus? O que você tem a apresentar a Deus para que ele não te destrua imediatamente? Só o sangue dele pode nos cobrir. Ele é o Autor da salvação e fez isso sozinho.

  1. Jesus é o governador exaltado por Deus

No final dos v.3 e v.4 é-nos dito que ele se assentou a direita da majestade nas alturas. Ele está acima dos céus. Depois que realizou sua obra ele foi exaltado. Este já era seu lugar de direito, mas em sua humanidade ele venceu e recebeu este direito. Ele, em sua humanidade, adquiriu o direito de se assentar ao lado de Deus o Pai. Por ter acontecido tal, significa que o Pai aceitou o sacrifício do Filho. Por conta disso ele governa tudo, pois todas as coisas estão sob seus pés. Esta questão de Jesus estar sentado é metafórico, pois ele está a direita, ou seja, ele está numa posição inigualável. Não uma posição física, mas como uma patente recebida.

Ele é o governador de todas as coisas. Inclusive dos anjos, pois os anjos são ministros seus. Os anjos cumprem suas ordens e só. Pois o autor afirma que se “tornou tão superior aos anjos…”. Ele é mais digno que todos os anjos. No v.14 percebemos que os anjos são chamados “espíritos ministradores”. Ao nome dele se dobre todo joelho na terra e nos céus. Os anjos estão de joelhos em sua presença. O Arcanjo Miguel e Gabriel estão de joelhos em sua presença esperando suas ordens. E quando Jesus estava entre nós a legião de demônios que estava no gadareno também se ajoelhou diante dele porque ele é Deus. Parafraseando Paul Washer podemos repetir que “aqueles que não se ajoelharem por livre e espontânea vontade, terão suas rótulas quebradas a se prostrarão diante daquele que é digno”.

IMPLICAÇÕES

Adore-o, honre-o, tema-o. Antes de tudo ame-o. Ele nos sustenta e conduz a história do universo e de cada um de nós. Louve-o, pois ele é o autor de nossa salvação. Nós não pedimos para sermos salvos, mas ele veio e nos salvou. Com todas as suas forças, com tudo que você sabe ou pode fazer, honre-o. Ele merece mais. Só o conhecemos de relance. Nós não entendemos sua dignidade. Podemos citar Jó 26 quando se diz que de Deus nós só conhecemos a orla de suas vestes.

CONCLUSÃO

1) Jesus é a última revelação de Deus, 2) Jesus é o herdeiro e 3) Jesus é co-criador com o Pai; 4) Jesus é, em carne, tudo que Deus é; 5) Jesus é o sustentador do Cosmos; 6) Jesus é o autor da salvação e 7) é o Governador exaltado p

[1] Expressão típica nordestina quando alguém se parece com outra, tanto física, quanto psicológica, e emocionalmente.

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