Jesus: A realidade final de Deus para o mundo

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas,
mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo.
O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa”.
Hebreus 1:1-3

Imagine alguém muito rico, você sabe que esta pessoa é famosa por ter muito dinheiro, jatinhos particulares, contas milionárias e de repente você está caminhando na praça principal de sua cidade e se depara com esta pessoa extremamente rica, andando como mendigo e pedindo esmolas. Seria loucura aos nossos olhos. Infelizmente, esse tem sido o cenário da igreja evangélica brasileira, pessoas que não perceberam a riqueza que há em Cristo e precisam ficar mendigando um caquinho de espiritualidade aqui, uma migalha de sobrenaturalidade ali, o líder “ungidão” que afirma ter uma “revelação especial”, outro que diz ter um caminho mais elevado de vida espiritual acolá.

O Autor aos Hebreus escreveu por volta de 80 d.C. quando a igreja estava passando por severa perseguição. Um pensamento natural surge à tona no meio dessa igreja: “quando eu era da religião judaica eu não sofria perseguição, logo, vou manter minha fé interior em Jesus e participar dos rituais judaicos e assim, me livrarei das aflições”. O autor, portanto, exorta essa comunidade a perceber a loucura que é trocar Jesus, por qualquer coisa nesse mundo. Quais os argumentos do autor sagrado para convencê-los a reconhecer a riqueza que já tinham em Jesus e não trocá-lo por coisa alguma?

Jesus: A realidade final de Deus para o mundo.

  1. Porque ele é a última revelação de Deus (v.1)

O texto é claro e o escritor estava dizendo que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é o ápice, é o ponto final das revelações de Deus. Significa dizer que tudo que aconteceu no AT estava caminhando para uma finalidade; e a finalidade era Jesus. Pra que alguém constrói uma casa? Qual o plano do pedreiro. Logo, em comparação, o autor nos diz que Deus, durante os séculos, Deus vinha trazendo a sua Palavra de muitas maneiras e muitas vezes. Deus veio falando e falou mesmo. Falou com Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José, Moisés, Davi, Samuel, os juízes e profetas. Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras. Quais maneiras? Face a face com Moisés.

Com José interpretando-lhe sonhos. Com Abraão por meio de sua voz, ou quando fez sua aliança, ou quando Abraão ouviu a voz de Deus pela primeira vez mandando-o sair de sua terra. Falou com Jacó quando Deus tem a visão da escada que liga o céu e a terra. Davi ouve a voz de Deus e escreve os Salmos e Isaías não só o ouve como o vê. As maneiras eram sonhos, visões etc. e o autor aos Hebreus escreve dizendo: “Isso agora é passado”, pois nesses últimos dias ele nos falou pelo Filho. O Filho supera todas as outras formas de revelação que Deus veio trazendo durante a história. Pois tudo que Deus veio fazendo na história foi como a construção de uma casa. Ele veio construindo, construindo e construindo até termina-la. Deus veio preparando o terreno de muitas formas até a chegada de seu Filho. Em Gálatas 4.4 lemos, mais ou menos a mesma ideia expressa pelo apóstolo Paulo: “Vindo, porém, a plenitude dos tempos Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei”. Então Deus tinha um tempo marcado para enviar seu Filho. E esse tempo marcado por Deus passou por tudo aquilo que veio acontecendo no Antigo Testamento. Era a preparação para a vinda de algo muito maior do que tudo que veio em tempos passados. Para o cristão, seria mais ou menos assim:

O judeu diria: “Deus abriu o mar Vermelho! Que coisa maravilhosa!” e o cristão diria: “Eu sei, mas eu conheço algo muito mais impressionante e maravilhoso. E o ato de abrir o mar é algo muito pequeno comparado ao que eu entendo sobre Deus. Vocês ficam fascinados com a história do mar aberto? Pois eu conheço uma história muito mais fascinante para contar. É a história de Deus vindo em carne!”. O judeu diria: “Elias fez descer fogo do céu! Que coisa grandiosa!”, porém, o cristão sabe que esse fato, foi mesmo grandioso, mas o cristão retruca: “Muito mais maravilhoso é a história do único Deus que existe, descendo do céu!”. O que é mais maravilhoso? O fogo que desce ou o Deus que desce?

O autor só poderia estar falando com uma comunidade judaica: Jesus supera tudo isso que vocês sabem, ele supera tudo que vocês conhecem e contam como coisas grandes era só um passinho pequenino, que Deus determinou no plano da salvação para, no fim, enviar o que Ele havia planejado: o envio do seu próprio Filho. Ele é a última revelação de Deus.

  1. Porque Ele é o herdeiro.

Porque dele, por ele e para ele são todas as coisas. Deus o Pai, ao terminar de criar tudo disse: Toma meu Filho, para ti criei tudo isso. Tu és o meu Filho amado em quem eu tenho prazer. Toda a minha alegria está sobre ti, meu Filho. Imagine a cena de Jesus sendo batizado e Deus dizendo isso pra quem quisesse ouvir. A alegria do Pai está depositada no Filho, a misericórdia do Pai está no filho, o amor imenso do Pai está no Filho. Ele é o herdeiro. Quando Deus criou o universo ele o deu de presente a Jesus. Por isso o autor o chama herdeiro. Lembrem-se de Mt 28, (antes do “ide”); Jesus falou antes uma afirmação poderosa: “Toda autoridade me foi dada no céus e na terra!”. Essa afirmativa significa toda a criação. Não é só o céu dos anjos, ou a terra dos homens, mas o cosmos. Perceba aquela estrela brilhando no firmamento, ela é minha. Veja aquela minhoca pequenina no solo! É minha! Ainda mesmo no inferno ele tem toda autoridade (sobre qualquer mínima labareda, se é que tem labaredas no inferno). Se fores com ele até os céus e ele te mostrares os anjos, dos mais humildes até os arcanjos, ele te dirá: “São todos meus!”. Foram todos feitos para mim, por meu Pai. Tudo que foi criado está sob minha autoridade. O Pai, ao criar me deu porque eu sou o Filho amado. Ele é a realidade final de Deus para o mundo. Ele é o herdeiro.

  1. Jesus é o co-criador (v.2b)

Jesus estava lá com Deus criando o universo. Deus, o Pai não estava só criando o cosmos. Algumas seitas diabólicas negam a eternidade do Filho. Eles dizem: “Ele (Jeová) estava só e sua primeira criação foi Jesus. Mentira! Ele já estava lá com o Pai. Ele é co-criador. Tudo que foi criado foi criado pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito. Deus criava as coisas simplesmente falando, pelo verbo, porque “No princípio era o verbo e o verbo estava com Deus e o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele e sem ele nada do que foi feito se fez”. Nós também lemos em Gênesis que o Espírito pairava sobre a face das águas. E lá estavam os três criando tudo que existe. Lá estavam os três criando e organizando tudo que existe. Então Jesus é a realidade final porque ele é o co-criador. O pai nunca esteve só. E o Filho nunca esteve só (senão uma vez). Jesus é o verbo de Deus. Quando Deus verbalizava sua palavra se transformava em realidade. Só Deus tem o poder de transformar palavra em realidade. Não havia material pré-existente. O verbo sempre esteve lá. Sempre esteve com o Pai. Lembre-se quando jesus diz: Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho! Deus não estava cansado no Gênesis, mas sua obra criadora cessou e Deus descansou (parou de criar) o trabalho de Deus é sustentar. Ele continua trabalhando em outra atividade; na de sustentador. Se ele retira sua mão o universo desaba e Jesus é chamado de sustentador.

IMPLICAÇÕES

  1. Se você é uma das milhares de milhares de pessoas que procura Deus, você só o encontrará no Filho; ouça o Filho, veja o Filho, entregue-se ao Filho. Jesus é a realidade final. Você não precisa juntar cacos de religiosidade para ser abençoado. Você já tem a realidade final, não junte cacos. Os incrédulos juntam cacos de religiões diferentes, mas os crentes também fazem isso quando buscam um sonho ali, uma profecia acolá. Nós não precisamos disso.
  2. Nesses últimos dias, Deus nos falou por Jesus somente. O cosmos e o mundo espiritual tem dono e ele é o herdeiro, você pertence a ele, você tem dono, a igreja tem dono, mesmo quando ela parece fria e perdida. O mundo O pertence, mas a igreja de uma forma ainda mais especial, porque é a noiva. A intenção do autor é a glória de Jesus assim como se glorifica ao Pai. O autor pretendia que todos glorificassem ao Filho. Ele merece todo temor. O Pai não é mais carrasco e o Filho mais brando. Ele é digno de temor e tremor tanto quanto o Pai.

CONCLUSÃO

Nós não precisamos viver mendigando. Não precisa viver com molambos. Não precisa ficar catando profecias, sonhos e visões, porque a realidade já veio. Nada superará esta realidade. Muitos não enxergam o pão da Vida que está em sua frente e vivem em busca de migalhas com novenas evangélicas, copos d’água, terra ungida e toalha ungida. Ele, a realidade final já veio.

Murilo Morais

 

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