Cuidado Com a Falsa Pregação

Cuidado Com a Falsa Pregação

 

Bem, há quem diga que toda pregação é boa. Há quem diga também, que não podemos julgar se alguém pregou bem ou mal, porque, enfim, “o pastor usou a Palavra de Deus”. Na maioria das vezes, “usou” mesmo; usou como uma vez eu usei um martelo para abrir um portão, porque a chave quebrara dentro da fechadura. Assim como eu fiz com o martelo, que não era o instrumento certo para abrir o portão, muitos pregadores, pastores famosos o fazem com as Escrituras.

A despeito disso, há um perigo que considero ainda pior (até por ser mais silencioso). E vai parecer estranho o que eu vou dizer agora, mas lá vai: É quando um pregador aparentemente usa bem a Bíblia (explica bem o texto e o contexto a sua igreja), mas, no final, não apresenta a graça de Deus, apenas entrega uma lista de “obrigações morais” que devem ser cumpridas. Para ficar mais fácil de você entender o que estou tentando dizer, é só lembrar dos sermões que usam as expressões “seja como” (Abraão, Moisés, Josué, Jefté, Davi…); ou a expressão “se esforce por fazer isso durante esta semana”.

Muitos pregadores até explicam bem este ou aquele texto, naquele domingo de igreja lotada, mas na hora de mostrar a Graça de Deus, como disse, ele joga desgraça sobre o povo todo que está lá e ninguém dá conta. Se eu dou leis as pessoas, ordenando que elas “sejam como alguém”, ou que “se esforcem para conseguir ser isso ou aquilo”, estou, na verdade, condenando as pessoas a uma aceitação (diante de Deus) que deve advir de meu esforço e competência, não da graça que me resgatou.

Os frutos de pregações falsas como essas são bem podres porque trazem sensação de medo ou orgulho ou, das duas coisas. Vejamos que, em primeiro lugar, a maioria das pessoas que ouviu o sermão, não vai fazer o que o pregador está mandando (graças a Deus!); depois nós temos o grupo que vai tentar fazer por uma semana e vai desistir porque percebeu que não conseguiu (e nem vai). Talvez, este segundo grupo, se frustre e saia da igreja pensando que não são convertidos, não tem o Espírito Santo e, por isso, não conseguem fazer o que o pregador mandou. Mas o pior é o grupo dos que conseguem, porque esses viram “os santos-vigias”.

Certa vez, o pregador presbiteriano Tim Keller, disse que esse tipo de gente, se torna um tipo de “irmão mais velho”. O irmão mais velho é aquele que fica à espreita do irmão mais novo esperando que este erre, a fim de ir correndo contar ao pai. Assim, seu prazer é ver o pai castigando seu irmão. Ele se torna um vigia do irmão e não um auxílio no crescimento moral e espiritual deste.

Este terceiro grupo passará a vida confiando em si mesmo e condenando os “menos espirituais”. Veja o que uma pregação falsa pode causar! Acabou de criar um grupo de pessoas que acredita que Deus as aceita baseado nas obras (de conseguir “ser como…” ou de “se esforçar para…”). Significa que a ministração da Palavra, ao invés de apresentar a graça de Deus, que só nos aceita com base na perfeição do sacrifício de Jesus Cristo, criou um grupo de pessoas orgulhosas de si mesmas. Conhecemos um grupo que se comportava assim no Novo Testamento, os fariseus. É um grupo conhecido por confiar em si mesmo, em sua própria justiça, pensando que Deus os amava mais porque conseguiam guardar mais e mais leis.

Além do orgulho que tais pregações podem criar, há também o medo. Um coração medroso de não ser aceito por Deus. É o mesmo grupo dos orgulhosos, ainda que haja parte dos grupos anteriores! Os membros deste grupo dos orgulhosos vivem assim, porque pensam conseguir cumprir leis, porque são muito disciplinados, contudo, vivem em desoladora ansiedade e medo, porque se não cumprirem “as leis” que o falso pregador lhes dá, acreditam que Deus não ficará muito satisfeito com elas.

Novamente, somos aceitos na presença de Deus, porque o Filho de Deus foi o Sacrifício perfeito! Se crermos nele, não há mais condenação. Mas isso não é uma justificativa para pecar ou para antinomia (jogar fora todas as leis, como se Deus não cobrasse nada). A pregação da graça põe os pecadores no lugar deles. Somos condenáveis e Deus seria justo se o fizesse, mas quis lançar sobre seu Filho o pecado de nós todos; isso lhe agradou. Quando ele olhar para o fruto de seu penoso trabalho ficará satisfeito. Logo, se nos santificamos, não é para sermos aceitos, mas para demonstrar amor pelo Deus que nos aceitou e nos amou primeiro e, enviou seu Filho para morrer por nós, sendo nós ainda seus inimigos.

Aos pregadores, digo que preguem o Evangelho e não deem leis as pessoas. O Evangelho é a boa notícia de que Jesus Cristo morreu pelos pecadores e que estes são aceitos por Deus quando permanecem nele. Não preguem um falso Evangelho que deixa o homem por conta de seus esforços. Não há esforço, nem humano, nem angélico que nos recomende a Deus, somente Cristo Jesus.

Aos membros da igreja, eu digo, diante de Deus, com temor e tremor, (porque também sou um pregador que erra muito) não sintam medo nem orgulho. Medo de não serem aceitos por Deus, por não conseguirem atingir o “padrão de Deus” (porque o padrão de Deus é Jesus Cristo, então, desista logo!). Nem sintam orgulho, porque se sua vida diante de Deus te dá orgulho, ainda que por um segundo, há grandes chances de você nunca ter conhecido a graça de Deus no Evangelho de Jesus Cristo. Deus dá graça aos humildes, mas os soberbos ele os conhece de longe. Aquele que se gloria, que se glorie no Senhor, em conhece-lo, em conformar-se aos seus sofrimentos.

Murilo Morais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *