Review – O Homem Eterno de G. K Chesterton

O Homem Eterno trata-se de uma das mais belas defesas do Cristianismo e da Humanidade que eu já li em toda a minha vida. Chesterton viveu no século XX, uma época em que o secularismo parecia corroer o pensamento cristão europeu. Socialismo, ateísmo, comunismo, nazismo, fascismo, positivismo, cientificismo e tantos outros “ismos” que tentavam, inutilmente, oferecer sentido a vida humana marcaram o século que para muitos é considerado “A Era dos Extremos”. No entanto, aqui Chesterton com grande maestria oferece uma resposta às grandes heresias desse tempo e, de certa forma, de nosso tempo.

“Ninguém consegue imaginar como nada se transforma em alguma coisa. Ninguém é capaz de chegar sequer um milímetro mais perto de compreender isso explicando como alguma coisa pode se transformar em outra. É realmente bem mais lógico começar por dizer “No principio, Deus criou o céu e a terra.” ( Página 27)

O livro é dividido em duas partes, na primeira ele faz uma análise do surgimento do ser humano, desde o “homem das cavernas” ate o homem moderno, refutando ideais evolucionistas e ateístas, mas ele não se limita a isso, pelo contrário, Chesterton faz uma profunda e belíssima análise do desenvolvimento do paganismo e da mitologia. Aqui ele também refuta a tese, nas palavras do autor, “simplória”, que a Igreja Cristã promoveu uma ruptura entre a fé e a razão.

“Mas, em verdade, os rios da mitologia e da filosofia correm paralelos e não se misturam até que encontram o mar do cristianismo. Secularistas simplórios ainda falam como se a Igreja tivesse introduzido uma espécie de cisma entre razão e religião. A verdade é que a Igreja foi realmente a primeira a tentar combinar razão e religião. Nunca antes houve uma união como essa entre sacerdotes e filósofos.” ( Página 131)

Já na segunda parte, Chesterton mostra, dentre muitas coisas, que o Cristianismo é algo diferente de tudo o que a mente humana já havia visto, refutando, assim, a ideia absurda que a fé cristã é fruto da “evolução do pensamento humano”, como se ela fosse produto de uma “seleção natural das religiões”. Existe uma frase do C S Lewis que sintetiza um pouco essa ideia:

“Está é uma das razões pelas quais eu acredito no Cristianismo: é uma religião que ninguém teria conseguido inventar.“

É possível concluir que o Novo Testamento e a própria figura de Cristo seria a última coisa que poderia surgir de forma natural e espontânea , portanto, a sua causa é  sobrenatural e divina.
Chesterton é até mesmo ousado ao discorrer sobre o impacto do cristianismo no mundo, ele diz que no sepulcro de Jesus toda a grande e gloriosa história da humanidade foi reunida e sepultada junto de Cristo, foi o fim da história meramente humana. As mitologias e filosofias forem enterradas naquele túmulo. O mundo tinha morrido ao longo da noite, mas foi ressuscitado junto de Jesus, naquele dia um novo mundo havia surgido.

“Eles desceram o corpo da cruz e um dos poucos homens ricos entre os primeiros cristãos obteve permissão para sepulta-lo num túmulo de pedra em seu jardim. (…) Nessa segunda caverna ( o túmulo de Jesus) toda a grande e gloriosa humanidade que chamamos de antiguidade foi reunida e abrangida; e nesse local foi sepultada. Foi o fim de uma coisa grandiosa chamada história humana; a historia que era meramente humana. As mitologias e filosofias foram enterradas ali, também os deuses e os heróis e os sábios. (…) No terceiro dia, os amigos de Cristo vieram ao raiar do sol e encontraram a sepultura vazia e a pedra rolada. Por vários modos se aperceberam da nova maravilha; mas mesmo eles dificilmente perceberam que o mundo tinha morrido ao longo da noite. O que viam era o primeiro dia de uma nova criação, com um novo céu e uma nova terra.” (Página 252)

Enfim, o livro é muito mais rico do que é possível descrever com algumas poucas palavras. Trata-se de uma leitura densa e que exige do leitor atenção redobrada, apesar disso o livro é essencial e fundamental para todos que querem defender a fé cristã como o Apostolo Pedro nos intima:

“Estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” 1Pedro 3:15

Editora: Ecclesiae
Autor: G K Chesterton
Páginas: 326
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