O deus fraco em que as pessoas creem

Ao comparar a visão em relação a Deus que os judeus e os cristãos das primeiras comunidades tinham com a visão contemporânea desse mesmo Deus é impossível não se indignar. Ao abrir as páginas do Antigo Testamento vemos em Êxodo um povo que tinha temor até mesmo de está na presença de Deus e ouvir a sua voz:

“Este grande fogo vai nos devorar! Se continuarmos a ouvir a voz de Iahweh nosso Deus nós vamos morrer!” (Êxodo 5:25)

Continuando a leitura vemos o povo chamar o seu Deus de “O Senhor dos Exércitos”, aqui Deus é aquele que vai a frente da batalhar e esmaga os inimigos de Israel. Não obstante, em Jesus vemos a revelação final desse Deus Forte, forte o bastante para conhecer o maior dos pecadores e ainda assim morrer por amor a ele. Vemos em Cristo o amor perfeito, não um amor débil que tudo aceita. Pelo contrário, um amor que repreende e odeia o pecado. Odeia o mal ao ponto de oferecer seu sangue a fim de extirpá-lo do mundo. Nos primeiros cristãos vemos esse mesmo temor e respeito, eles viam a grandeza de Deus e, por isso, não se achavam nem mesmo dignos de sofrer por Ele.

Por que hoje vemos o contrário? Vemos uma grande maioria que dizem amar a Deus, mas esses mesmo O zombam com suas ações. Vemos pessoas lotando os templos em busca de bens materiais e prosperidade como se o Senhor fosse uma espécie de garçom divino; outras sequer se dão o trabalho de buscar Sua presença. Infelizmente, essas pessoas creem em um “deus” fraco, totalmente oposto ao Deus da Bíblia e dos apóstolos. Tomás de Kempis em seu clássico, A Imitação De Cristo, percebeu e denunciou essa falsidade de forma clara:

“Muitos amam o reino celestial de Jesus, mas os que carregam a cruz são poucos. Muitos desejam seu conforto, mas poucos sua tribulação. (…) Muitos acompanham Jesus no partir do pão, mas poucos tomam com ele o cálice da Paixão. Muitos reverenciam seus milagres, mas poucos o seguem na vergonha da cruz.”.

Mas, por que essa mudança tão radical? Será que o homem pós-moderno é tão fraco que precisou criar um deus igualmente fraco? Não creio nisso. Veja como eram os Judeus escravizados no Egito. Eles eram frágeis a tal ponto que  desejaram a escravidão do Faraó (Números 11:5), mas nem por isso se rebaixaram ao nosso ponto. Se não somos fracos, então a resposta é que somos fortes de tal maneira que não precisamos mais de um Deus forte, alcançamos o nosso apogeu, o homem pós-moderno se tornou o super homem de Nietzsche e, portanto, não mais tem a necessidade de se curvar diante de Deus; é Deus que deve se curvar diante do homem. Mas, será mesmo? Também não creio que essa seja a resposta. Se assim fosse, não existiria tanta fome no mundo, não existiria tanta guerra e destruição. Se assim fosse, não existiria tantas pessoas desesperadas buscando um deus garçom.

A resposta para essa pergunta é mais simples: As pessoas crêem nesse deus fraco porque elas são cegas! À semelhança de Saulo, elas possuem seus olhos cobertos por escamas. Elas leem os evangelhos com a visão embaçada por ideologias; não buscam mais A Verdade. Pelo contrário, buscam na Bíblia versículos isolados para justificar a sua própria verdade, ou melhor, a sua própria mentira. Mas esse deus não é o Deus de Abraão, Isaac e Jacó; não é Jesus, nem nunca será; ele não passa de uma invenção criada por mãos humanas.  O Deus forte é, nas palavras de Peter Kreeft:

“Cristo, o tigre, abre as barras da jaula que os homens tentam colocar em torno dele e prende seus pretensos captores na jaula. Ele é o pescador, o Rei pescador, e nós somos o peixe, não vice-versa. Esse pescador não pode ser pego como um peixe. Ele não se amolda a nenhuma rede. Não há lugar na boca dele para o anzol se prender, pois sua boca é fogo!”.

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