A nossa salvação e sua relação com as Três Pessoas da Trindade

A nossa salvação e sua relação com as Três Pessoas da Trindade

 

Introdução

“Salvação”, termo comum no Cristianismo, deve ser compreendido como um substantivo definidor. Ele define alguém outrora perdido, preso, escravizado. Só para lembrar alguns termos usados pelo Pr. John MacArthur Jr. em seu livro Escravo[1]. Ou ainda algumas respostas dadas pelo Rev. R. C. Sproul, em seu opúsculo, Salvos de Quê?[2]. Estas obras, de proeminentes pregadores e professores, mostram o estado em que o homem se encontra sem Cristo (um escravo do pecado, do diabo e do mundo) e o estado inverso, quando se está em Cristo. Já a expressão “salvo” é um adjetivo que caracteriza esta libertação da escravidão do pecado e a reconciliação com Deus por meio de Seu Eterno Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Ser salvo é arrepender-se e crer.

A salvação tem como pano de fundo a Queda. Na realidade, sem a real compreensão desta verdade, o termo salvação simplesmente não tem sentido. Apenas após a Queda, no Éden, é que o termo salvação ganha razão. Salvação também aponta logicamente para um status futuro, porque a Bíblia é clara em centenas de textos e contextos, de que os que crêem já estão salvos, porém, não desfrutam da plenitude do que são e do que possuem, e só o farão na segunda vinda do Senhor. Logo, podemos inserir salvação no grande contexto da História da Redenção, mais comumente conhecido como CRIAÇÃO – QUEDA – REDENÇÃO[3].

Depois de definir onde estamos e para onde vamos, exporemos brevemente as atuações “individuais” do Pai, do Filho e do Espírito Santo no milagre da Salvação.

  1. A Salvação e Deus, o Pai.

Assim como Deus, o Pai, projetou o Universo com todos os seus elementos constitutivos, também projetou a Salvação. A despeito de nos lembrarmos muito mais do Filho, quando este é o tema, devemos rever as Escrituras nesse tópico específico e repensar quem deve vir primeiro em nossas mentes ao tratarmos disto. Quem, segundo as Escrituras é o projetista da Salvação? Quem teve a idéia de salvar o pecador e de reconciliar-se com ele?

É impossível ler a Bíblia com atenção e não perceber que foi Deus, o Pai, quem planejou a salvação dos que haviam se perdido. Vou usar alguns textos do Evangelho de João que, são bem explícitos sobre este tema.

  1. João 3:16 (Deus, o Pai, é quem ama o mundo e envia o Filho);
  2. João 6:40 (Deus elege o Filho como objeto da fé salvífica);
  3. João 17:4 (Deus, o Pai, foi quem entregou um encargo ao Filho);

Quanto a esta doutrina, que envolve muitos outros detalhes, Deus Pai é seu autor. Tanto nos escritos joaninos, supra, bem como nos demais evangelhos e cartas, o Pai é tratado como aquele que teve a idéia. Lucas escreveu que aquele que nasceu de Maria é o Filho de Deus e Mateus afirma que o anjo lhe trouxe o nome dado pelo Pai, Jesus (salvação). Ele nasce com sua obra – dada por seu Pai – impregnada em seu nome. O intento, desde o princípio não foi de Maria nem de qualquer outro, mas do Pai.

 

  1. A Salvação e Deus, o Filho.

Deus, o Filho, é Jesus de Nazaré, filho de Maria. A salvação está atrelada a ele tanto quanto está ao Pai e ao Espírito Santo. Contudo, é inegável que pensamos muito mais no Filho que nas demais Pessoas da Trindade quando tratamos de Soteriologia.

O Filho foi aquele, por meio de quem, o plano do Pai tornou-se realidade no tempo e no espaço, porque até então a Salvação estava escondida na mente de Deus e veio sendo elucidada gradativamente na História da Redenção. Ele foi a propiciação pelos nossos pecados. A salvação torna-se possível nele, quando a Escritura diz:

  1. João 1:29: Jesus é o Cordeiro definitivo;
  2. Romanos 1:17: A justiça de Deus foi satisfeita em Jesus;
  3. Romanos 3:21-26: O sangue de Jesus é a propiciação;

Todos os textos acima apontam para Jesus de Nazaré como aquele que tornou a Salvação possível. Outra particularidade sobre a Segunda Pessoa da Trindade é que devemos crer nela para a salvação. Ele, Jesus, é o objeto da fé e da salvação e não o Pai que o enviou. Por isso, que crer só em Deus, de um modo geral, não é suficiente para a salvação. Há uma condenação que brota da santidade de Deus (sendo Santo, não suporta pecado e exerce justiça), que só é debelada na pessoa do Filho e quando o pecador foge para ele.

 

  1. A Salvação e Deus, o Espírito.

Deus, o Pai, e Deus, o Espírito – como foi dito supra – não são muito conhecidos nos seus papais soteriológicos como o Filho é. Associa-se a salvação quase eu exclusivamente ao Filho. Contudo, assim como a Criação em geral, foi obra da Trindade, a nova criação também é.

Deus, o Pai, planejou, o Filho tornou-se o meio da Salvação, dando sua vida, mas só o Espírito Santo aplica a obra do Filho aos corações dos homens pecadores. O espírito é o agente regenerador, aquele que ressuscita os mortos fazendo-s entender o Evangelho. Dizem as Escrituras:

  1. João 3:4-7: O Espírito Santo é o agente da Regeneração;
  2. João 16:7, 8: O Espírito é quem convence o homem de seu estado caído;
  3. João 1:12-14: O Espírito Santo fala de Jesus, apontado para Ele glorificando-o;

Com certeza, a doutrina do Espírito Santo mostra muito mais sobre sua ação na salvação. Por exemplo, o profeta Ezequiel, em sua visão (37:1-14), mostra a função do Espírito Santo na nova criação. Também é o Espírito que nos dá certeza de que somos filhos de Deus e nos guia no mundo como tais (Rm 8:12-17). As Escrituras também nos ensinam que “as coisas espirituais são discernidas espiritualmente” (Rm 2:14).

 

  1. A Salvação e a raça humana.

Toda raça humana encontra-se sob o mesmo estado, que não é outro senão o e morte e inimizade para com Deus (Gn 2:17; Ef 2:1-10). Diante disso, quem pode ser salvo? A resposta é: Ninguém! “Mas os impossíveis aos homens são possíveis para Deus” (Mc 10:27).

A suma é que a raça humana jaz morta. Este é o termo mais forte; porque se dissermos “cega” alguém poderá dizer que “ouve” e se dissermos que “ouve” alguém objetará que “vê”. Então, o termo “morte” é o melhor porque acaba com todos os sentidos e não haverá apelação.

Do mesmo modo, a obra do Espírito Santo só pode ser entendida como estritamente necessária sob esta condição e, a morte do Filho, como morte substitutiva também. Neste caso, o ser humano só participa da salvação após sua Regeneração pelo Espírito. Após sua regeneração, o homem exerce fé e, assim, é ativo numa parte posterior.

 

Considerações Finais.

A Santíssima Trindade esteve, está e estará envolvida em tudo. O universo, bem como tudo que ainda não vemos é obra da Trindade. E nossa Salvação é a obra mais maravilhosa da Trindade. A Regeneração, não de elementos inanimados, mas de corações de pedras. A mudança do ódio para o amor a Deus. Este é um milagre trinitário. Da Regeneração seguimos caminho para a Conversão (fé e arrependimento) e, desde então, dizemos que houve salvação. O Deus Triúno é Soberano sobre nossa salvação e ela depende exclusivamente de algo que aconteceu fora de nós, mas seus efeitos estão em nós.

[1] Livro, no Brasil, publicado pela Editora Fiel.

[2] Livro publicado pela Editora Vida.

[3] Alguns incluem RESTAURAÇÃO como um quarto elemento, mas, particularmente, não vejo necessidade, porque a obra redentiva de Cristo contempla a RESTAURAÇÃO não só dos homens e sua relação com Deus, mas de todo cosmos. Então acho redundante, todavia não é um erro usar a esta expressão.

Murilo Morais

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