Quantas Caras Você Tem?

Porque persuado eu agora os homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo (Gl 1.10)

 

Em todos os lugares e tempos o homem tenta, segundo seus interesses, ser politicamente correto. Mesmo que não haja uma amizade verdadeira, “é melhor que muitos estejam ao meu lado”. Fazendo assim, aquele que quer agradar a todos está distante de ser livre, pelo contrário, é escravo de suas muitas promessas sem fundamento, de suas muitas opiniões que, dependem de quem está escutando. O tal vive correndo de um lado para outro levando presentes a gregos e troianos.

O universo humano é feito de escolhas, o mundo do homem é binomial. A lógica não nos permite dizer que estamos com frio e calor ao mesmo tempo, ou que estamos dentro e fora de um mesmo ambiente num mesmo instante, ou que determinada pessoa está certa e errada no mesmo intervalo de tempo sobre a mesma situação. Contudo, é assim que muitos têm vivido, porque querem agradar aqueles que consideram importantes para si: amigos, filhos, familiares e chefes. Quem vive assim, em cima do muro, têm duas caras, duas conversas, dois discursos e ainda consegue fazer algo excepcional: a) agradam aos homens, b) desagradam a Deus, c) tornam-se escravos das situações podendo ser desmascarados e d) são corretamente chamados de hipócritas. Tudo isso consegue fazer ao mesmo tempo!

O apóstolo Paulo (de quem é o texto citado) poderia ter sido o homem mais hipócrita e politiqueiro do cristianismo. Era muito culto, tinha cidadania romana, conhecia muitos homens poderosos e era fariseu. Todos os de “sua estirpe” podiam confiar nele. Quando se converteu, também ganhou muita credibilidade (mesmo tendo levado algum tempo) e ele poderia ter se aproveitado disso. Outro fator que poderia ter contribuído para que ele fosse um homem de “sim” e de “não” era a distância entre as igrejas das quais cuidava. Ele poderia bajular todas e abrir concessões a quem ele quisesse sem que fosse descoberto por muito tempo.

Não foi assim, entretanto, que o apóstolo agiu. A Igreja da Galácia passava por sérios problemas. O abandono da fé verdadeira era o pior deles e Paulo não estava lá para corrigir. Ele poderia, por carta, ter sido um excelente negociante e ter dito que a igreja poderia crer nesse falso Evangelho. Fazendo isso, o apóstolo teria evitado desgostos, teria agradado a muitos homens influentes da igreja, e ele seria visto como o apóstolo mais “amigo” dos gálatas. Mas Paulo de Tarso não era assim. Ele não tinha duas conversas, duas opiniões sobre o mesmo assunto. Não concordava com esse modo de vida em que se quer agradar a todos ao mesmo tempo.

O que Paulo envia para os gálatas está longe de ser uma mensagem de que eles podem crer no que quiserem, ou que estavam certos em falsificar, mesmo que levemente, o Evangelho. Pelo contrário, ele os exorta com força e diz que não é servo de homem algum. Logo, se os gálatas estavam esperando que Paulo fosse jogar no time deles só para agradá-los, descobririam rapidamente que estavam enganados. Ele estava sempre do lado da verdade de Cristo. Daquele que era seu Senhor. É a vontade desse Cristo que importa. O mundo poderia desabar sobre sua cabeça, mas a verdade é que esse falso Evangelho era maldito e quem o ensinasse era maldito tanto quanto.

Não é preciso analisar muito acuradamente para sabermos que houve um tempo em que Paulo queria agradar aos homens e a Deus ao mesmo tempo. Sua história nos diz isto. Ele tinha a Lei de Deus em sua boca e sangue em suas mãos. Queria agradar seus colegas fariseus pensando prestar um favor a Deus. O texto analisado trás o advérbio de tempo “ainda”, que demonstra um período em que a preocupação de Paulo era agradar aqueles que eram importantes aos seus olhos. Quando escreve aos gálatas, porém, já não era mais essa sua obrigação nem seu prazer. Ainda que toda a igreja da Galácia se voltasse contra ele, e deixasse a fé, sua obrigação e prazer era falar sempre a verdade e corrigir o erro segundo o ministério que recebeu de Jesus. Não há como ser servo de dois senhores.

Quem nunca tentou agradar a muitas pessoas ao mesmo tempo? Quem nunca teve dois discursos? Quem nunca precisou mentir porque contou uma versão para agradar a alguém que considera importante e, no mesmo dia, outra versão a outra pessoa também importante? Quem nunca esteve dos dois lados de uma discussão? Quem nunca teve medo de perder a amizade de alguém e, por isso, disse que a tal pessoa estava certa? Mas de quem você é servo? Quando queremos ser agradáveis a todos, acima de nosso compromisso com Jesus Cristo, devemos nos perguntar: de quem sou servo?

Talvez você seja escravo de tantas opiniões diferentes para muitas pessoas diferentes. Talvez você nem saiba mais a diferença entre o certo e o errado. Talvez você não passe de um hipócrita que quer se aproveitar de qualquer um que possa oferecer qualquer coisa. Você pode até não magoar alguém por enquanto, mas haverá um dia em que tudo virá à superfície e todos saberão quem você é.

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