Versos de Clamor #9

Pai… Me perdoe… Me perdoe por ser esse ser tão vil, tão fraco e repugnante…
Tu sabes o quanto meu coração chora diante das animalidades de minha torpe mente…
Meus membros clamam por santidade, clamam por um caminhar puro e gritam desesperados pelo alcançar da Tua misericórdia…

Como posso, Senhor, me apresentar em súplicas?
Como posso estar diante de Ti?
Como posso mirar-te os olhos se não há mais fôlego em minh’alma, se meu ser se escurece a cada amanhecer?
Como?

Os desertos olhos, que oceanos já foram, já não vivem mais, pois o mau que paira sobre mim saqueou todo brilho e encanto que havia no falar…
As palavras do hoje se perderam no ontem e parecem mais mecânicas que amadas, mais sabidas que sentidas, mais explicadas que vividas…
Oh, Pai, livra-me de mim, livra-me do meu eu, transforma o viver…
Sinto agora as gotas do Teu Amor na sequidão do meu pranto…
Sinto o Teu restaurar surgindo ao longe como um alvorecer do Neguebe…
Pai, Tu és meu Deus, meu refúgio, minha fortaleza, meu Amparo…
Fortalece os meus pés e entrincheira meu coração…

Faz nascer um novo, de novo…

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