Cristãos, onde estão?

Recentemente, eu estava assistindo uma peça de teatro[1] adaptada do livro Socrates meets Jesus (Sócrates Encontra Jesus) do professor Peter Kreeft[2]. A peça se passa em uma aula de “Cristologia”, com um diálogo entre Sócrates, um professor ateu e dois alunos, sendo que um deles era uma cristã pluralista e o outro um cético marxista. Após ler a Bíblia Sagrada e se deparar com o cristianismo em sua forma mais pura, Sócrates faz uma pergunta constrangedora, porém, pertinente: onde estão os cristãos?

Da mesma forma, deveríamos nos perguntar: será que temos sido cristãos de fato? Ou seja, será que temos sido “pequenos” cristos? Será que exalamos o perfume do céu e somos distintos em nosso modo de pensar, de agir, de vestir e até mesmo de nos comportarmos diante da sociedade? Ou será que estamos sendo amoldados de acordo com o padrão desse mundo tenebroso e anticristão?

Pensando no assunto, percebi que o maior feito do diabo foi fazer com que as pessoas deixassem de acreditar em sua existência, porque assim ele pode agir sem ser interrompido, ou melhor, combatido. Mas não se deixem enganar, o diabo é real e o seu plano é destruir a Igreja de Cristo. Analisem com sinceridade e verão que antes a intenção do inimigo de Deus era nos destruir afastando as pessoas da igreja. No entanto, hoje, ele age nos destruindo dentro da própria igreja, ele está conseguindo moldar a mentalidade dos cristãos fazendo com que eles aceitem e tolerem o padrão que o mundo oferece.

Vejam o modo de agir dos cristãos descritos no livro dos Atos dos Apóstolos. Eles eram apedrejados, chicoteados, lançado aos leões e após isso tudo se alegravam por serem considerados dignos de sofrer por causa de cristo (Atos 5:41). Os cristãos primitivos foram perseguidos primeiro pelos próprios judeus e depois pelos romanos, pois eles desprezavam e desdenhavam do paganismo vigente e das regalias e luxos do império. Infelizmente, eles não se parecem em nada conosco. Enquanto tentamos viver um cristianismo light que tudo aceita, eles viviam um cristianismo radical e estavam dispostos a morrer por cristo. Enquanto vivemos um cristianismo politicamente correto que tem medo de desagradar os homens, eles queriam nascer de novo e não se importavam se isso desagradava aos homens. O Apostolo Pedro e os seus companheiros declaravam: “É preciso obedecer antes a Deus do que os homens” (Atos 5:29). Eles viviam um arrependimento verdadeiro, na verdade “arrependimento” vem da palavra grega metanoia e significa mudança de mentalidade, de perspectiva! Portanto, uma conversão que não gera mudança de pensamento e inconformidade em relação às ideologias e ideias tidas como “corretas” para o mundo, não é conversão verdadeira, porque não houve arrependimento, não houve “metanoia”.

Enfim, a primeira vez que fomos chamados de “cristãos” foi em Atos capitulo 11 versículos 26, em referência aos seguidores de Jesus da igreja de Antioquia. Eles só foram chamados dessa forma, pois seu modo de viver era semelhante ao de Cristo, eles eram imitadores do nosso Senhor. Será que podemos ser chamados dessa forma? Se sim, como “Sócrates”, cabe a pergunta:  onde estão os cristãos? Qual a mudança estamos fazendo no mundo? Timothy Keller certa vez disse: “Jesus não foi apenas um cara legal que fez o bem no mundo. Você não crucifica caras legais. Você crucifica ameaças”. Será que, como Jesus, temos sido uma ameaça a esse mundo?

 

[1] Peça dirigida pelo produtor Kevin O’Brien

[2] Peter Kreeft, Intervarsity press , 2002

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