Dos judaizantes Nossos de Cada Dia Nos Livra Hoje

Dos judaizantes nossos de cada dia.

 

Ligue sua TV e alguém vai estar vendendo água do Jordão, ou orando para ser como Elias, ou rodopiando em nome do Espírito Santo. Vá a internet e veja homens de kipá e solidéu sobre os ombros. Hoje mesmo vi um homem pregando (ou pensando que estava) cujas vestimentas não o identificavam. Parecia um padre, mas usava kipá, não havia nenhuma cruz em seus trajes coloridos, nem na parede do lugar onde estava; mas havia muitos símbolos judeus, duas menorás, uma miniatura da Arca do Concerto, porém ele usava o Novo Testamento para dizer absurdos. São os judaizantes-gospel brasileiros. Pessoas que comungam da mesa dos demônios e pensam partilhar da mesa e do altar do Senhor crucificado e ressurreto.

Diante desta realidade me veio uma vontade de escrever e de usar um texto, usar de modo adequado, não me entenda mal. Hebreus 13.8 é um texto bastante utilizado em disputas entre cessacionistas e continuístas. A partir deste versículo – e pior, somente dele, às vezes – os continuístas tem a mais pura certeza de que os dons carismáticos continuam na igreja hodierna. Os cessacionistas recorrem a outros textos como “a chegada do perfeito” (e haja paciência para tantas teorias sobre que perfeito é esse!) em 1 Coríntios 13, dentre outros, a fim de provarem que os carismas extraordinários se foram para sempre. Não estou aqui para defender nenhuma das duas correntes, minha intenção é outra. E, melhor ainda, não acredito que textos isolados provem coisa alguma. Quanto mais hermenêutica eu estudo, mais impaciente fico para debater determinados temas (acho que a idade está chegando!).

O texto em questão não se limita ao v.8 do capítulo 13 de Hebreus, mas aos seguintes. Estamos no final da Epístola e, o autor está desacelerando os argumentos teológicos mais abstratos e chegando na parte prática do sermão (há quem diga que a Epístola aos Hebreus é um grande sermão ou uma coleção desses; bem como é sabido entre os estudiosos do Novo Testamento que, a parte prática das cartas ficava no final. Isso parece ser uma marca paulina, mas encontramos o mesmo nas epístolas gerais). Como disse acima, a intenção não é defender o cessacionismo em detrimento do continuísmo, mas fazer-nos precaver do moderno judaísmo (acho que judaização protestante seria um termo estranho, mas adequado). Deixe-me fazer você leitor entender, sucintamente, a carta para, depois chegar no lugar que desejo.

Olhando para o contexto geral da Epístola podemos entender porque alguns estudiosos a chamam de “Carta das comparações”. Vemos o autor comparando Jesus aos anjos, a Moisés, a Arão ou a qualquer outro sumo-sacerdote, a Josué, ao descanso sabático, ao Tabernáculo, etc. Para, no final, dizer: “Perceberam tudo isso que Deus veio fazendo ao longo da História da Redenção? Se notaram, o que eu quero dizer é que Jesus supera tudo que já aconteceu no passado, tudo era uma espécie de sombra esperando concretização”. Esta é a ideia da carta toda.

Bem no final, voltando para o capítulo 13, (num contexto chamado imediato) o autor dá ordens de como os crentes devem se comportar uns com os outros e com os de fora. Os cristãos devem ser pessoas que oram pelos outros, hospedam estrangeiros, temo casamento na mais alta estima; devem ainda ser pessoas agradecidas a Deus por sua graça em Cristo, mesmo que em situações calamitosas e pouco favoráveis. Situações de perseguição, angústia e abandono, pois sabem que Deus jamais os abandonará (v.5).

A partir do v.7 ainda temos ordens de como aquela igreja (ou “aquelas igrejas”, se a carta era circular, acredito que não) deveria tratar seus guias, ministros, pastores, seja lá como você deseje chamar! A ordem é imitar a fé desses homens e não retroceder da esperança em Cristo. Aí chegamos ao v.8 em que o autor diz ser Jesus imutável. Mas em que sentido? (Acredito que vou desanimar os continuístas, mas vamos lá!) Longe do autor tratar de dons espirituais, ele está tratando do que já vinha tratando (para evitar dizermos que o autor humano ou o Espírito Santo sofre de algum transtorno bipolar!). O autor continua falando da superioridade de Cristo sobre as práticas ritualísticas judaicas, ou sobre quaisquer práticas rituais de qualquer coisa!

Chamo sua atenção para os versos seguintes, lugar em que o autor lança luz sobre o que escreveu antes. Ele ordena[1] no v.9 que os cristãos não devem se deixar envolver novamente, com as doutrinas judaicas. Elas já passaram, caducaram, foram removidas, não servem mais para nada. Os rituais judaicos são artefatos para museus. Não me entenda mal. Não estou dizendo que não se dever ler ou conhecer o que está no Antigo Testamento, mas que, segundo o autor, Jesus já nos aproximou de Deus pelo sacrifício de si mesmo, abolindo assim, quaisquer necessidades de outros sacrifícios.

Então, a preocupação aqui em dizer que Jesus é o mesmo para sempre, era tornar mais enfática a verdade de que um retorno as doutrinas judaicas, ou estranhas, tais como doutrinas sobre alimentação, (pois ele mesmo diz que ninguém nunca tirou proveito disso) era um erro terrível (v.9). Para ele, o que vale é o coração estar confirmado/ seguro na graça de Deus e não alimentar-se ou viver como um judeu.

O argumento continua tornando-se mais divisionista. Na realidade, já que os cristãos não podem participar da mesa dos judeus, o mesmo vale para os judaizantes. Os que querem permanecer vivendo como judeus, não podem participar da mesa da graça de Deus, já que não crêem na graça de Deus revelada em Cristo Jesus, mas confiam em si mesmos, no que comem ou deixam de comer, no dia que guardam ou deixam de guardar… O autor diz que nós “possuímos um altar do qual não direito de comer os que ministram no tabernáculo” (v.10). Esses, têm seus sacrifícios e rituais (v.11) e ainda estão longe do Senhor Jesus Cristo. Nós não temos comunhão nenhuma com esses. Eles têm seus rituais, como disse acima e, seus altares, nós, porém, não temos altar visível, nos achegamos a Deus pela cruz de Cristo. Repito, não temos comunhão com eles!

Se não temos comunhão com eles e eles desprezam nosso Senhor, que nossa preferência seja permanecer com nosso Senhor. Se ele foi morto fora dos muros, ou seja, fora da cidade, como sinal de que havia blasfemado e estava sob maldição, que prefiramos permanecer com ele, ir até ele e não retornar aos muros e portões da cidade pedindo, implorando para sermos aceitos novamente. Vamos sair da cidade juntamente com ele, levando conosco a vergonha (v.12, 13). Ele que por nós morreu, tendo sido tratado como blasfemador e profano, sendo, na verdade, o Santo de Deus, o Filho, o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

Diante disso, em que lugar cabem os “judaizantes gospel”? Aqueles homens e mulheres vestidos de mantos, em “templos” cheios de menorás (candelabros), magen David (escudo/ estrela de Davi) são o quê mesmo? São cristãos? Ou entram na categoria dos que caíram de volta numa religião morta cheia de símbolos agora pagãos? Esses homens e mulheres saturam as emissoras de TV com ensinos de demônios. Suas bocas são malditas e seus espíritos são como os de animais imundos. São podres e destituídos da graça de Deus em Cristo. Tentam desfazer o que fez o Senhor em sua morte excruciante.

São apóstolos e apóstolas, bispos e bispas, pastores e pastoras que se auto-intitulam, se auto-ungem isso ou aquilo. Nada fazem senão, fazer errar os que não entendem o Evangelho. São bons em gemer e gritar, em rodopiar e revirar os olhos dizendo e se fazerem de animais a si mesmos e a tantos outros afirmando ser isto obra do Espírito de Cristo. Um “espírito de Cristo” que não aponta para Cristo! Não foi esse espírito sobre o qual Jesus falou que o Pai enviaria em seu nome (Jo 14, 15 e 16).

Alguns vão à Israel orar no muro das Lamentações como judeus ortodoxos, outros vão se banhar no rio Jordão, beber e trazer da água dele ao podre Brasil gospel; outro reconstrói o Templo de Salomão e traz a Arca da Aliança num dia de pompa demoníaca, sob os aplausos de todo o inferno e risadas de todos os demônios. Não conhecem a Cristo, a liberdade que ele nos trouxe, o sangue que limpa mais que um universo de “Jordões”, não conhecem a sua intercessão, que supera um milhão de muralhas da China, quanto mais o pobre muro das Lamentações, que deve lamentar tamanha imbecilidade e perversão.

São esses meus irmãos e irmãs? Devo considera-los irmãos em Cristo? Devo ser politicamente correto para que minhas ovelhas não se escandalizem? Ou devo vê-los sob a ótica do autor aos Hebreus que diz ser Jesus imutável, por isso não deveríamos retroceder a doutrinas mortas? Jamais os chamarei de irmãos ou irmãs, ainda que o mundo os assista aos sábados e domingos, ainda que o Brasil vá aos seus shows de lamento e uivos no cio prontos a parir doutrinas do inferno, pois são demônios! Eles não têm parte em minha mesa, no meu altar, assim como, graças a Deus, não tenho parte no altar imundo e detestável deles. Que o inferno os trague e que lá, se contorçam feito animais, já que o fazem tão bem aqui.

Temos muito a aprender com tão grande ensino do Espírito Santo na Epístola aos Hebreus. Devemos ir a Cristo, reconhecer seu valor e saber que ele supera tudo que veio antes dele. Já deveríamos entender o Espírito Santo desde as primeiras linhas de seu escrito quando ele diz que “havendo Deus, outrora falado muitas vezes e de muitas maneiras aos pais pelos profetas, nesses últimos dias, nos falou pelo Filho”. Ele, Jesus, é a voz última de Deus. Ele não muda, nem nós deveríamos mudar, retrocedendo da graça e dando ouvidos as milhares de vozes de demônios.

Que Deus tenha misericórdia de nossa geração.

[1] Sempre evito dizer “alerta”, “adverte”, “aconselha”, porque esses termos podem diminuir a força da expressão, pois, como dizia um professor meu: Deus nunca aconselhou ninguém, porque ele é um Rei e reis decretam e ordenam! Mas fique à vontade para discordar!

Murilo Morais

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