O Evangelho e os meus Direitos

1 Co 9. 1-14 O Evangelho e os meus direitos

INTRODUÇÃO:

Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu lesado em algum direito. Sempre acontece em nossas vidas de termos direito a alguma coisa, e que, por algum motivo, este direito nos é retirado, principalmente, quando se trata de sustento financeiro. Às vezes é um beneficio que nos é cortado. Às vezes é um bônus que acaba. Acontece de ser reduzido o salário. As reações são diversas. Uns ficam tristes, outros reclamam, há quem brigue.

No texto de hoje, Paulo estava falando de seus direitos como pregador do evangelho. Parece que tratar do sustento do obreiro, não tem nenhuma relação com o capitulo 8 e sobre as comidas sacrificadas aos ídolos, mas, na verdade, este assunto é continuação do outro. A questão era que os coríntios se consideravam cristãos amadurecidos e adiantados, e julgavam estar numa posição elevada em relação aos demais cristãos do mundo, por isso, pensavam que tinham liberdade para comer as carnes oferecidas aos ídolos, sem dar satisfação a ninguém, se assim o desejassem. Se achavam tão superiores que podiam fazer o que aos crentes inferiores não seria permitido. Então Paulo começa a falar de privilégios ou direitos que ele possuía como pregador do Evangelho, mas que não os havia exigido, no caso de Corinto, para que esta situação não se transformasse em barreira para o evangelho naquele lugar.

Assim, Paulo nos ensina princípios importantes sobre os privilégios a quem os obreiros têm direito.

 

  1. OS QUE SÃO CHAMADOS POR CRISTO PARA A LIDERANÇA DA IGREJA RECEBEM UM GRANDE PRIVILÉGIO. (1-2)

1 ¶ Não sou eu, porventura, livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Acaso, não sois fruto do meu trabalho no Senhor?

2  Se não sou apóstolo para outrem, certamente, o sou para vós outros; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor.

Paulo havia terminado o capitulo 8, afirmando que o fato de ser alguém espiritualmente maduro, não lhe dava o direito de desprezar ou ignorar os que ainda não eram maduros em Cristo. Assim, se alguma ação da parte dele servisse para atrapalhar alguém a crer em Cristo, ele não mais faria aquela ação. Mas ele continua no 9.1,2, afirmando que se os coríntios se julgavam em posição de superioridade, Paulo então, era muito mais superior do que eles. Afinal de contas, ele era um apóstolo. Ele podia reclamar seus direitos, mas abriu mão deles visando a salvação e edificação do povo coríntio.

No verso 1, Paulo afirma que ele era apóstolo porque tinha visto a Jesus. É interessante que este foi considerado um critério importante para qualificar alguém como apóstolo – ver Jesus pessoalmente após sua ressurreição. Ser testemunha deste ato era a exigência máxima para tornar alguém em apóstolo. (conferir com Atos 1:22, 2:32; 3:15; 4:33).

Outra prova de seu ministério era a própria igreja de corinto. Ela foi plantada por Paulo. Eram o selo de seu apostolado. O que significa isso? Se voltarmos ao tempo de Paulo, saberemos que o selo era a garantia das correspondências ou encomendas. O selo garantia autenticidade. Assim, a igreja de corinto era a garantia da autenticidade de Paulo como apóstolo. Barclay afirma que “A prova final de que um homem conhece Cristo é que pode atrair outros a Cristo”.

 

  1. OS OBREIROS SÃO DIGNOS DE SEREM SUSTENTADOS PELA IGREJA.

3 ¶ A minha defesa perante os que me interpelam é esta: 4  não temos nós o direito de comer e beber? 5  E também o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? 6  Ou somente eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?

7  Quem jamais vai à guerra à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?

8  Porventura, falo isto como homem ou não o diz também a lei? 9  Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo. Acaso, é com bois que Deus se preocupa? 10  Ou é, seguramente, por nós que ele o diz? Certo que é por nós que está escrito; pois o que lavra cumpre fazê-lo com esperança; o que pisa o trigo faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida.

11  Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais?

Neste versículos, 3 a 11, vemos que Paulo apresenta os motivos pelos quais os obreiros devem ser sustentados pela igreja. A obra da pregação dava ao líder o direito bíblico de ser sustentado pelo que faz. Paulo afirma que não somente, mas também sua esposa (v.5), teria o direito de ser sustentada pela igreja. Para provar isto, ele começa a utilizar-se de algumas ilustrações que eram bem costumeiras na vida dos cristãos de Corinto. À partir do verso 7, ele argumenta que “Nenhum soldado tem que buscar sua própria comida, então por que um soldado de Cristo que luta contra o mal tem que fazê-lo? O homem que planta uma vinha desfruta de seu produto. Não deveria acontecer o mesmo com o homem que funda uma igreja? O pastor de ovelhas obtém sua comida de seu rebanho. Não teria que fazer o mesmo o pastor cristão?” Como se não bastassem as ilustrações do cotidiano das pessoas, ele vai para a Bíblia e afirma que “As mesmas Escrituras dizem que o boi que trabalha moendo o grão não deve ter focinheira, mas se deve permiti-lo comer do grão (Deuteronômio 25:4)”.(Barclay)

Paulo diz no verso 11, que um pregador do evangelho está plantado algo espiritual, seria demais ele recolher bens materiais?

O ensinamento de Paulo repete o de Jesus em Lucas 10:7, quando enviou seus discípulos à pregação em outras regiões e lhes mandou se hospedarem nas casas das pessoas e dizendo-lhes “E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa”.

  1. O EVANGELHO DE CRISTO É MAIS IMPORTANTE QUE MEUS DIREITOS.

12  Se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida? Entretanto, não usamos desse direito; antes, suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de Cristo. 13  Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento?

14  Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho;

Depois de argumentar sabiamente sobre os direitos dos obreiros de serem sustentados pela igreja. Paulo começa a falar da posição que havia tomado de abrir mão de seus direitos. No versículo 12, ele mostra alguns motivos. Primeiro, ele deixa claro que havia outros obreiros sendo sustentados pela igreja de Corinto, quando disse que “se outros participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida?”. E Paulo não era mais o pastor efetivo daquela igreja. É importante deixar claro que Paulo está falando do direito de receber salário daquela igreja mesmo à distância, mesmo não estando diretamente morando com entre eles, na mesma cidade. Aqui temos uma alusão ao sustento de missionários, ofertas a outros pregadores, etc.

Em segundo lugar, Paulo afirma abrir mão de seus direitos, visando o Evangelho. Era para o bem do evangelho naquele lugar que ele não queria ser sustentado pelos coríntios. Paulo rejeitou qualquer oferta ou salário dos coríntios. Eles eram uma igreja imatura, complicada, e, na condição espiritual que se encontravam, se Paulo recebesse qualquer ajuda financeira deles, eles usariam isto contra Paulo. Mas, graças a Deus que existiam igrejas abençoadoras. Paulo foi sustentado diversas vezes pelos irmãos Filipenses (Fil.1.5-7; 4.10). Ou seja, ele era sustentado pelas igrejas, por pregar o evangelho, mas não aceitou o sustento vindo de Corinto.

Ali, no meio de um povo que não queria compreender as verdades da Palavra, Paulo abriu mão de seus direitos, para que pudesse mostrar seu amor aos coríntios e o grande amor de Cristo por eles. A fim de ensiná-los a crescerem na fé e no relacionamento com Jesus.

Enquanto ele mesmo não receberia o sustento pastoral daquela igreja, ele ensina que deviam continuar sustentando seus obreiros, pois deixou registrado no versículo 14 que “Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho”.

 

CONCLUSÃO:

Encerro esta reflexão bíblica, pensando na decisão de Paulo. Como pastor, pregador do evangelho, ele tinha o direito de receber salário para ele mesmo e sua família, pois esta é a vontade de Deus. Assim ele ensinou que a igreja deve sustentar seus obreiros dignamente, pois esta é a vontade de Cristo.

Paulo também nos ensina que, por causa do evangelho e visando a salvação das pessoas, muitas vezes, teremos que fazer opção: meus direitos ou a salvação de uma vida? Qual será sua resposta?

 

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