Completando as aflições de Cristo

“Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja.” Gl 1:24

Paulo não está dizendo que o que a obra de Jesus foi incompleta, mas que aquilo que ele passava, como prisão e perseguição, era uma extensão da obra iniciada no calvário. O sofrimento de Paulo e da igreja, que é o corpo de Cristo, é considerado como o próprio sofrimento de Cristo ( cf At 9.4), sendo assim, ela completa as aflições de Jesus.

Paulo também diz que as perseguições são como graça recebida (Fp 1:29), e que regozijava-se pela oportunidade de participar dos sofrimentos do povo de Deus e que sofria por amor (Ef 3.13; 2 Tm 2.10)
Ao analisarmos a história da igreja, vemos que não eram apenas os apóstolos que tinham esse pensamento, mas que os grandes mártires por diversas vezes consideravam um privilégio sofrer pelo evangelho. Costumo dizer que as frases mais lindas ditas nesse mundo foram às frases gritadas pelos servos do Senhor enquanto eram julgados, queimados e mordidos pelos leões, pois expressam exatamente, embora em meio à dor física, que eles tiveram o prazer de servir a Deus.
Um grande exemplo de luta pelo evangelho foi um dos Pais da Igreja chamado Inácio de Antioquia, que antes de ser morto por leões, escreveu uma carta para a igreja de Roma para que não impedissem a sua morte.

“Escrevo a todas as Igrejas e insisto junto a todas que morro de boa vontade por Deus, se vós não mo impedirdes. Suplico-vos, não vos transformeis em benevolência inoportuna para mim. Deixai-me ser comida para as feras, pelas quais me é possível encontrar Deus. Sou trigo de Deus e sou moído pelos dentes das feras, para encontrar-me como pão puro de Cristo. Acariciai antes as feras, para que se tornem meu túmulo e não deixem sobrar nada de meu corpo, para que na minha morte não me torne peso para ninguém. Então de fato serei discípulo de Jesus Cristo, quando o mundo nem mais vir meu corpo. Implorai a Cristo em meu favor, para que por estes instrumentos me faça vítima de Deus. Não é como Pedro e Paulo, que vos ordeno. Eles eram apóstolos, eu um condenado; aqueles, livres, e eu até agora escravo. Mas, quando tiver padecido, tornar-me-ei alforriado de Jesus Cristo, e ressuscitarei n’Ele, livre. E agora, preso, aprendo a nada desejar”
Inácio sentiu orgulho de ser trigo do senhor e em breve seria moído pelos dentes dos leões.

Muitos conhecem a história dos Moravianos. Dois jovens que embarcaram em uma viagem sem volta para serem escravos voluntários justamente para pregarem o evangelho em uma ilha no Leste da Índia. Sabiam que iriam sofrer, mas estavam dispostos a proclamar as boas novas.
Depois de se despedirem, na partida podiam-se ouvir os dois jovens gritando: “Que o cordeiro que foi imolado receba a recompensa do seu sacrifício”
Diz a história que seus amigos e parentes choravam profundamente, pois sabiam que jamais veriam os dois jovens.

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos;
E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.
2 Coríntios 4:7-11

Esses são apenas dois exemplos de centenas de testemunhos de homens que completaram as aflições de Cristo pelo amor ao evangelho.
Que a igreja do Senhor venha ter o sentimento dos grandes Servos de Deus, que diante das perseguições não se acovardavam e não negavam sua fé, mas considerava tudo uma honra, pois estavam estendendo ao mundo a OBRA do SALVADOR por meio de suas vidas.

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