Ester e a Cultura

É muito interessante quando nos aproximamos de músicas que nos refletem a essência do evangelho, a glória de Deus e sua manifestação na terra e não tem nada escrito com a palavra: Deus, como a canção Pride do U2. Ou filmes que destinam nossa mente a pensar sobre a verdadeira maneira de viver o evangelho sem que Jesus Cristo, Paulo ou um herói da fé apareça no enredo como o Advogado do Diabo (abordando como nosso ego contribui para nossa decadência e que dependemos de algo, o algo que se explicita no filme que está meio errado).

Ester tem essa dinâmica quando não vemos a palavra Deus no livro todo e é um ponto a se pensar sobre o que consumimos (ou produzimos) com a nossa cultura.

Será que ainda devemos ter aquele preconceito de buscar Deus só em palavras e não na sua essência?
Talvez estejamos preocupados demais em falar do evangelho e esquecemos de agir o que falamos do evangelho. Talvez estamos nós, cantores da graça monótonos, sem que o público entenda as variantes da dança que faz o faz entender o que é essa graça.

E não, não estou falando de sincretismo! Não estou falando de me igualar ao mundo! Estou falando de ser como Ester, que mesmo fora da “igreja”(Israel), refletia a glória de Deus por suas ações e não era somente porque eram ações “gospel”.

Ela participou dos procedimentos que o Rei Xerxes pediu para que a escolhesse como nova Rainha e eram práticas seculares . Entendeu que não havia vaidade em seu pedido e que isso nada se assemelhasse com algo “do mundo” e negativo para Deus (talvez possa estar exagerando, mas quem sabe ela não representou o que nós como igreja devemos fazer: se preparar para o futuro noivo: Jesus?). E isso de acordo com práticas que não eram da cultura judaica-cristã.

O que eu quero que você entenda é que a cultura não precisa ser gospel para enxergar Cristo, não precisa de Deus “apalavrado” para dizer que tem a sua essência. Precisamos refletir também no que é chamado “graça comum”( que é como Chico Buarque diz: graça distribuida, um conceito que aborda como pode se ver graça em salvos e não salvos).

Como um importante teólogo chamado Abraham Kuyper diz: “Não há um centimetro quadrado que Deus não diga: É Meu!”

E se não enxergamos Deus em culturas diferentes, estamos cegos do que sua glória tem a oferecer. E se não percebemos essa glória, estamos mais vazios diante de nosso fundamentalismo. E se ficamos vazios, precisamos do Deus de culturas diferentes.

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